sábado, 24 de junho de 2017

Um Ano Novo em Teresópolis

Maria Joaquina e Benjamin Constant em 1874.

Em nosso acervo documental encontramos muitas cartas da família Botelho de Magalhães. Muitas delas são um primor de formosura para esses tempos tão fugidios de recados corridos em celulares, com "códigos" que nem mesmo compreendemos corretamente. Encontramos estas duas singelas cartas redigida por Maria Joaquina, esposa de Benjamin Constant, para sua irmã Olympia, a quem chama “Mamãe”. Ma. Joaquina e B. Constant passaram o Ano Novo de 1877 para 1878 em Teresópolis. A segunda carta está incompleta.

Carta 1:

"Theresopolis 28 de dezembro de 1877

Mamãe

Recebemos hoje uma carta sua, ficámos muito satisfeitos por saber que todos vão bem, e que não ha novidade.

Chegamos á Theresopolis no mesmo dia em que sahimos, ás 9 horas da noite; fizemos bem a viagem, pois de Piedade á Barreira, que é o peior [sic] pedaço por causa da poeira, choveo; de maneira que abrandou o calor e o pó; assim mesmo aprecihámos sol, chuvisco e sereno; eu não senti nada; mas o Benjamin teve seu ameaço de intermitentes, e dôr rheumatica nos jóelhos; tem andado mais adoentado; assim mesmo temos sahido á passear, porem só demanhã cedo pois aqui tambem tem feito bastante calor; faço ideia o que terá feito lá embaixo. A viagem é bastante incômoda; o Sr Guimarães fez bem em resolver hir para Sa Thereza, pois elle não resistia á viagem; só o que acho é que vai-lhes sahir muito cara á estada lá á 6$000; porem pódem tomar o comodo mobiliado, e sustentarem-se sem mandar vir do hotel.

Tenho tido saudades das crianças; elles é que havião de apreciar muito isto; estou porem descançada pois sei que não podiam ficar em melhor guarda e mais bem acompanhados.

É bonito Theresopolis, isto é vê-se campo e matto, mas como não está muito habitado tem-se liberdade; o que ainda não vi foi frutas; só há uvas e figos que estão verdes; o Benjamin andou querendo que eu tomasse caldo de cana, mas não foi possível arranjar, não se vê uma chacrinha bem plantada; mesmo o leite não é grande cousa.

Adeus Mamãe, muitas lembranças á Alcida Niniha, D. Marcellina á quem muito agradeço o interesse que (?), á todos de casa, Luiza, Irmelinda (?). Um beijo em cada uma das 6 crianças, e que se conduzão bem; Benjamin e Bernardina que não trepem nas janellas, Alcida, Adozinda e Aldina que não briguem. O Benjamin tambem manda muitas lembranças á todos e benção ás crianças. Adeus Mamãe.

D’esta sua imrã e amiga,

Maria Joaquina da Costa Botelho de Magalhães"

Serra dos Órgãos: Vista do Pico Dedo de Deus
Foto de George Leuzinger de 1865 a 1874
 
Carta 2:

"30 de dezembro

Por falta de correio, não foi esta no dia 28; pensei que havia de 2 em 2 dias, quando só ha nas segundas, quartas e sextas; e tendo eu feito a carta a tarde, já não chegou á tempo; e assim só amanhã é que hirá.

Acabo de receber outra carta sua, e juntamente uma de D. Marcellina.

Estimei muito ter notícias de casa e de todos; e saber que as crianças tem-se conduzido bem. Aqui tem feito bastante calor durante o dia; porem as manhãs e noites são frias; faço ideia que lá estará torrando; o Benjamin não tem passado muito bem; tem andado com o ventre preso e dores de cabeça. Pretendemos voltar, isto é sahir d’aqui do hotel no dia 3 de madrugada, mas o Benjamin está com ideia de hir por Petropolis, para evitar a passagem em Magé e Piedade por serem lugares muito doentios; e mesmo a viagem muito incômoda.

Elle pretende sahir de madrugada e hir almoçar na fazenda do Paquequer onde está o Napoleão conhecido d’elle, e que o mandou convidar; são 3 léguas; regula 3 horas de viagem; lá descansaremos, e seguiremos ou de [...]"

#TravelsMW #MuseumWeek

Benjamin Fraenkel: um neto viajado


Ao iniciar a montagem de nosso Museu Casa, a museóloga Hercília Viana contou com o auxílio de alguns conhecedores da casa como era no tempo de Benjamin Constant. Um deles foi seu neto, Benjamin Constant Fraenkel, nascido no ano em que falecera seu avô, 1891. Filho de Aldina e do alemão Karl Fraenkel, Benjamin Fraenkel fez seu relato em 1975, já com 84 anos, mas foi pleno em suas memórias. Neste pequeno trecho, conta por onde andou até voltar a residir no Rio de Janeiro, em casa de seu avô materno, ainda com sua avó viva, Maria Joaquina. Vejam que maravilha:

Ainda um bebê, Benjamin Fraenkel viaja para Berlim.


Com nove meses de idade fui para Berlim (1891), para onde meu pai havia sido nomeado Cônsul. De Berlim, lembro-me da casa em que moramos, do Jardim de Infância que frequentei e dos passeios que fazíamos à floresta, acompanhados das professoras entoando os alegres cânticos escolares alemães.

Uma das fases infantis ele passa em Estocolmo, na Suécia.

Meu Pai sendo transferido para Estocolmo (1897), ainda frequentei aí o Jardim de Infância e, lembro-me bastante do que lá passei. Mais crescido já, ouvia sempre com muito interesse a minha querida Mãe, falando em português, como sempre em casa se falou, relembrar (do)ndo, com carinho, a Família distante e os fatos passados, despertando em mim o desejo imenso de conhecer minha Terra.

Chega ao Brasil de volta passando por Salvador, na Bahia, e relata sua visão de frutas tropicais.
Transferido o meu Pai para o Salto, ia a Família, de passagem, passar uns dias no Brasil. Já em Salvador (1899), o aspecto da terra era tão diferente! Foi em Salvador que eu fui ver, pela primeira vez o abacaxi, a banana, a quantidade de pretos que eu nunca tinha visto.

A alegria era tanta, era tão grande, que compensava a tristeza de ter deixado meus dois irmãos mais velhos, Cláudio e Walter, na Alemanha fazendo o curso ginasial. Mas, faltavam ainda alguns dias para chegarmos ao Rio de Janeiro; para (e)constatarmos tudo o que a nossa boa Mãe dizia.

De volta ao Rio de Janeiro, sua cidade natal que ainda não conhecia, com aproximadamente 10 anos
de idade, surpreende-se com tanta gente e com o Plano Inclinado!
 Chegamos, enfim, ao querido Rio (1900). Ainda não havia o cais. O navio ficava ao longe e uma grande quantidade de barcos, com gente que vinha esperar os parentes e amigos, outros, com frutas para vender aos passantes, lanchas, todos fazendo um barulho tão grande, um falatório todo em português, que eu não me lembrar quem é que foi ao nosso desembarque e como cheguei ao Plano Inclinado! (...)”

O primeiro cais do Rio foi construído em 1910, quando Fraenkel já completava 19 anos. Portanto calculamos de forma muito aproximada, os anos em que ele passara pelas cidades citadas (entre parêntesis em sua carta).

#TravelsMW #MuseumWeek

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A história de uma 'Super Woman' - ou de uma grande mulher!


No ano passado na #MuseumWeek houve um dia destinado às pessoas importantes nos museus e tivemos o prazer e a honra de destacar nosso colega Luis Antonio que muito nos ajuda no dia a dia aqui no trabalho. Mas há muitos mais que fazem muito por aqui e o pensado por esta organização neste ano era homenagear uma outra pessoa tão importante quanto ele – que, por acaso do destino, é de fato, sua esposa. Trata-se de Mercia Correia Freire, nossa Restauradora e Conservadora, que parece que encontrou sua alma gêmea aqui mesmo no museu: ela é pessoa especialíssima, também sempre pronta a ajudar quem quer que necessite, seja no trabalho, seja na vida pessoal, a todo instante.

Mas os temas do evento mudaram neste ano e pensamos como faríamos a homenagem. E parece que a #MuseumWeek pensou direitinho como nós e dedicou não apenas um dia mas toda a semana a elas, as mulheres que fazem muito pelos museus e pelo mundo todo. E percebemos que, realmente, nossa colega Mercia é uma mulher que merece toda essa deferência: amiga, atuante, presente, sem deixar a ternura, o carinho e o amor ao próximo de lado. Ela está sempre junto de quem precisa, não tolera injustiças e procura ser profissional sempre, mas humana acima de tudo.

Condecorada na renovação do Arquivo Histórico e Biblioteca em 2014.


Sua história profissional em nosso museu começa bem cedo: veio estagiar aqui muito jovem - com apenas 15 anos - e apenas dois anos após a abertura do museu, em 1984, pelo projeto “Patrulheirismo para Atendimento ao Público” e logo ficou na linha de frente da recepção aos visitantes, se saindo muito bem, já que é muito simpática. Contratada pela Fundação Pró-Memória em 1987, desenvolve um lado todo seu, de cuidados com o Museu Casa, participando na prática das ações na área de conservação e, aos poucos, foi se aperfeiçoando. Hoje responde por todas as rotinas de conservação tanto das peças de nosso Acervo Museológico quanto do Acervo Documental e Bibliográfico, além dos dois prédios que compõem o museu – a Casa Histórica e a Casa de Bernardina. Nada escapa da profissional que conhece como ninguém todos os cantinhos, detalhes e materiais das casas, móveis, objetos, indumentária e outros itens, e sabe muito bem ensinar e instruir a sua equipe de apoio como o serviço deve ser bem feito e bem mantido.

Além disso tem cursos em restauração em papel, auxilia nos contratos administrativos que tenham a ver diretamente com seu trabalho e também apoia ações educativas no museu. Ufa, mas é uma ‘Super Woman' não é?

Em seu aniversário comemorado no mesmo mês da diretora Elaine Carrilho e do terceirizado Josivaldo Araújo.


É sim. Para que vocês saibam ainda mais, Mercia não ficou satisfeita com tudo que viu e aprendeu por aqui, com as funções de mãe, dona de casa, esposa e avó que já é, e que curte muito sê-lo. No ano passado concluiu muito feliz sua graduação em Pedagogia e promete que ainda tem muito para fazer! Ninguém duvida de “Dona” Mercia: ela não pára por qualquer coisinha e está sempre animada com a vida. É por mulheres como ela que o mundo vai para a frente sempre, temos certeza. E também é por existirem pessoas como ela em nossos museus que eles avançam com toda sua simplicidade e beleza. Uma salva de palmas a quem, de verdade, faz!

#StoriesMW #WomenMW #MuseumWeek

quarta-feira, 21 de junho de 2017

As filhas de Benjamin Constant

Filho, filhas e viúva e Benjamin Constant
De pé, da esquerda para a direita: Benjamin Constant Filho - aqui com 21 anos - Alcida e Bernardina
Sentadas: Aldina, Aracy, Maria Joaquina e Adozinda. Foto de 1 de fevereiro de 1892
Clique para ver maior.


6 de outubro (domingo)
Mamãe, Alcida e eu fomos jantar com Aldina; papai também foi, 
porém foi primeiro visitar o João e achou-o melhor. A Clara 
também foi à casa de Aldina, para visitar Araci. Meu padrinho
também jantou lá.(...)

Excerto de "O Diário de Bernardina", pequena publicação organizada
por Celso Castro e Renato Lemos, com base no diário de Bernardina
Botelho de Magalhães, filha de Benjamin Constant.

São com descrições de um dia a dia de família assim que “O diário de Bernardina”, pequeno livro compilado a partir do diário da quarta filha de Benjamin Constant, nos cativa para um mundo muito diferente do nosso, em fins do século XIX, quando nosso patrono vivia com suas filhas e filhos no centro do Rio de Janeiro de então. Professor de matemática de vários colégios e militar de carreira, Constant estava bem no meio do processo da Proclamação da República mas sua família vivia o cotidiano comum às famílias da época. Suas filhas levavam vidas de moças educadas para casar, próprio daquela época, e observavam os acontecimentos. Uma diferença as distinguia das demais, além do fato de serem filhas do futuro "Fundador da República": todas sabiam ler e escrever, exigência do pai, o que não era comum a todas as moças da época, mesmo as de classe mais alta.

O casal Botelho de Magalhães teve cinco moças e três rapazes. Infelizmente nenhum dos meninos sobreviveu. Mas elas sim, foram a real descendência de nosso patrono. Vejam alguns poucos detalhes a respeito de cada uma delas:

Aldina Constant Botelho de Magalhães (na foto, a de nº 5), a primeira, nascida em 1864, casou-se com o alemão Karl Fraenkel, teve cinco filhos, e veio a falecer em 1938;

Adozinda Constant Botelho de Magalhães (na foto, a com o nº 2), nascida em 1866, casou-se com Alvaro Joaquim de Oliveira, com quem teve nove filhos, e faleceu em 1942;

Alcida Constant Botelho de Magalhães (na foto, a de nº 4), nascida em 1869, casou-se com José Bevilaqua, com quem teve 11 filhos. Bevilaqua foi um dos principais responsáveis pela família após a morte de Benjamin Constant. O casal ficou na casa da família e cuidou da matriarca, Maria Joaquina, até seu falecimento, em 1921. Um dos  netos é avô do Gal. Pery Constant Bevilaqua, figura da maior importância na família na década de 1960. Alcida faleceu em 1957;

Bernardina Constant Botelho de Magalhães (na foto, a nº 3), nascida em 15 de abril de 1873, casou-se com João Albuquerque de Serejo, com quem teve 10 filhos. Autora do um diário que citamos acima, onde registrou o dia a dia de sua família e também durante o período da Proclamação, o que o torna um documento histórico importante. É das figuras mais conhecidas da família por isto mesmo. Construiu uma casa ao lado da casa da família que se chama “Casa de Bernardina”, hoje sede de nosso museu. Falecida em 1928, apenas 7 anos após sua mãe, Maria Joaquina;

Aracy Constant Botelho de Magalhães (na foto, a nº 1), nascida em 1882, perdeu seu pai com apenas 9 anos. Não se casou, portanto não teve filhos. Residiu na casa da família desde seu nascimento até sua morte em 1961, contando com 79 anos. Após seu falecimento, seu sobrinho neto, o Gal. Pery, solicita ao SPHAN o retorno do terreno e das casas para a União com vistas à transformação no futuro Museu Casa de Benjamin Constant.

Seus irmãos, que não sobreviveram, tiveram as seguintes breves biografias:

Leopoldo H. de Magalhães, primeiro filho homem que nasce em 1870, logo depois de Alcida, falece no ano seguinte.

Benjamin Constant Filho, nasce em 1871, tem uma vida curta e um tanto conturbada, falece em 1901, aos 30 anos, sem se casar nem deixar herdeiros, em circunstâncias não esclarecidas. É o que aparece na foto acima com as irmãs.

Claudio Botelho de Magalhães , nasce em 1875, antes de Aracy, mas igualmente não resiste às doenças infantis da época e falece logo em 1878.

Ainda precisamos de muita pesquisa (e muitos pesquisadores...) para esquadrinhar todo o universo de fotos, cartas e documentos guardados em nossos acervos histórico, fotográfico e também museológico para percebermos o tanto que essas meninas, moças e mulheres têm a nos dizer com o legado de pequeninos trabalhos em costura, bordado e muitos escritos. As partituras de suas valsinhas, polcas e outras músicas para piano e violino, seus bilhetes, mesmo os corriqueiros, seus comentários, suas brincadeiras e risadas que ainda hoje estão por aqui, guardadas em tantos guardados. A força de mulheres que construíram a história de uma família que é particular, mas que também é de muitos. Exemplo para os seus, e para todo um povo.

Leia neste post sobre "O Diário de Bernardina"

#WomenMW #MuseumWeek

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Uma história do Museu Casa de... Maria Joaquina

Maria Joaquina da Costa Botelho de Magalhães: esposa, mãe, "matrona",
dona de casa e até "primeira museóloga" de Benjamin Constant

Não, não se trata de uma campanha pela mudança do nome do nosso museu. Porém, na #MuseumWeek 2017, é uma justa homenagem que fazemos a ela, Maria Joaquina da Costa Botelho de Magalhães. Os dois últimos sobrenomes ela adquiriu quando se casou com Benjamin Constant Botelho de Magalhães, quando tinha apenas 15 anos de idade. Filha de Claudio Luis da Costa, irmã de Olympia Bittencourt da Costa, cunhada do poeta Gonçalves Dias, Maria Joaquina é figura de imensa importância para nós.

Quando Benjamin Constant faleceu, em 1891, muita gente tratou de prestar-lhe as mais efusivas homenagens. E muito do que louvava a memória de Benjamin lembrava também o papel “inspirador” da sua esposa. Pense bem: Maria Joaquina passara a vida ao lado de um professor de matemáticas, diretor de escolas, um positivista cuja paixão era a educação. Chega a crise do Império, Benjamin se vê no centro das discussões sobre os rumos do Brasil. Em novembro de 1889, o professor organiza, junto com outros companheiros, o golpe final à Monarquia. Ela vê seu marido passar de professor a Ministro da Guerra, e depois da Instrução Pública.

Em 1891, logo no começo do ano, Benjamin morre. Passa de Ministro a Patriarca e Fundador da República brasileira, quantas honras! Até um museu foi projetado por um político da época, Demétrio Ribeiro, que deveria funcionar na última casa de Benjamin. Maria Joaquina começa, então, seu trabalho de organização e preservação da memória do esposo: faz a lista de bens deixados por ele, autentica documentos, empresta e recolhe fontes históricas junto aos biógrafos de Benjamin. Será que ela foi a primeira museóloga do nosso museu? Bem que poderíamos começar a pensar que sim.

Até porque, entre a morte de Benjamin e a sua própria, em 1921, ela cuidou de muito mais. A casa onde hoje é o museu foi mantida, dizem algumas testemunhas, numa disciplina amorosa, mas rígida. Como afirmou um jornal da época, Maria Joaquina era uma digna “matrona”. Mas que se diga a verdade: por muito tempo as mulheres foram reconhecidas somente pelo papel que desempenhavam em casa, no cuidado dos filhos, na gerência do lar. Nada de surpreendente, sobretudo quando se fala de uma esposa de positivista do final do século XIX. Hoje queremos fazer mais do que isso, quando mais não seja, ao menos para trazer ao debate (sempre republicano) a centralidade das mulheres em todos os aspectos da vida em sociedade.

Teríamos um museu bem diferente se não fosse Maria Joaquina, e sempre fomos dirigidos por mulheres. Essa é outra história que ainda vamos contar. Mas uma coisa é certa: se houve uma guardiã da memória que iniciou tudo isso, o nome dela é Maria Joaquina. Esse museu também é casa dela.

#WomenMW #MuseumWeek

Museum Weew 2017



Nesta semana estaremos participando novamente da Museum Week 2017: evento virtual instituído pelo Twitter - rede social que permite aos usuários enviar e receber atualizações pessoais de outros contatos, em textos de até 140 caracteres - também chamado de microblogging - "acontece" primeiramente nesta mídia, mas se espalha por os sites, mídias sociais e endereços virtuais que o museu e os demais participantes têm endereço na internet.  E agora tem o apoio da UNESCO.

A semana se estende de hoje até o próximo domingo, dia 25/06/2017. Para acompanhar basta ter um perfil no Twitter e acompanhar os tweets do evento, que serão marcados com a hashtag #MuseumWeek, ou através das hashtags temáticas de cada dia, conforme abaixo:

- Segunda, 19/06 #FoodMW - Alimentação, alimentos, comida

- Terça, 20/06 #SportsMW - Esportes

- Quarta, 21/06 #MusicMW - Música

- Quinta, 22/06 #StoriesMW - Histórias e estórias de nosso museu e contadas por aqui

- Sexta, 23/06 #BooksMW - Livros e publicações importantes ou ligadas à nossa instituição

- Sábado, 24/06 #TravelsMW - Viagens ligadas ao nosso museu

- Domingo, 25/06 #HeritageMW - Herança cultural tangível e intangível, conteúdos e acervos

Neste ano há uma novidade: foi escolhido um tema central que é a MULHER e todos os assuntos tratados relativos a elas serão marcados com a hashtag #WomenMW: destacaremos várias histórias notáveis de nosso museu a respeito desse tema.

As atividades, o cotidiano e as curiosidades de diversos museus, centros e casas de cultura, além de vários outros equipamentos culturais de todo o mundo estarão disponíveis para que cada um possa conhecer um pouquinho sobre estas instituições.

Aproveite! Siga-nos em nosso Twitter: www.twitter.com/museu_bconstant

#MuseumWeek

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Histórias controversas no Museu Casa de Benjamin Constant


Marcos Felipe de Brum Lopes

Estamos em obras, vocês sabem. Mas em plena Semana Nacional de Museus, não poderíamos deixar de fazer um pequeno registro. E nosso historiador, Marcos Lopes, mais uma vez nos brinda com um de seus ótimos textos sobre o tema da semana: acompanhe!


Cartaz da Semana de Museus deste ano


Em meio à 15ª Semana Nacional de Museus de 2017, que traz como tema os “Museus e Histórias controversas: dizer o indizível em museus”, ofereço o meu “pitaco” ao conjunto de reflexões que estão ocorrendo por aí.

Todas as famílias têm seus casos e suas casas. Se alguém se projeta para além da média dos mortais e sua casa vira museu, seus casos acabam se musealizando junto. Bem, os museus não são mais – na verdade nunca foram – aqueles lugares em que tudo cabe, tudo se mostra. Se na nossa genealogia os “gabinetes de curiosidades” figuram como locais onde se achavam muitas coisas justapostas e entrelaçadas, os museus sempre mostram e cobrem, lembram e olvidam, falam e calam. Não se pode expor tudo, muitas vezes, não se deve.

Tem coisas que a família de Benjamin Constant mostrou, outras cobriu. O Museu Casa de Benjamin Constant, como instituição, fez questão de lembrar vários aspectos históricos, deliberadamente olvidando outros mais. As esferas do patrimônio histórico nacional, como o IPHAN, falou, mas também calou. Nada de novo, como dizia uma professora dos meus tempos de graduação em História, “a vida é feita de escolhas”.

Estou agora me ocupando de uma pesquisa exatamente sobre as escolhas feitas pela família de Benjamin Constant, pelo Museu Casa de Benjamin Constant e pelo IPHAN, desde a fundação da República. Não é uma história cultural ou política da República, mas uma história daquilo que nós, como instituição e como gente que participa e decide, construímos e demolimos num museu que quer ter um lugar na cena nacional.

O primeiro passo foi apresentado no seminário “Uma agenda para a fotografia”, promovido pela ANPUH-RJ e LABHOI-UFF, que aconteceu no Museu Histórico Nacional em 2016. Naquela ocasião, o insólito título da minha fala foi “Migrantes e fantasmas: as imagens de Benjamin Constant” - veja post a respeito aqui - e busquei mostrar que, a despeito do pobre repertório de imagens que sobreviveu de Benjamin Constant, sua imagem heroicizada pelos positivistas migrou de suporte para suporte, de figura para figura, aparecendo, como aparição fantasmagórica, inclusive na exposição do museu.

A próxima tentativa de dizer um indizível será mais ambicioso, e quem puder me fazer a honra, compareça e ouça mais alguns palpites no XXIX Simpósio Nacional de História, da mesma ANPUH, que ocorre em Brasília em julho próximo, com o tema “Contra os preconceitos: história e democracia”. Segue abaixo um "tira-gosto":

"Após a morte de Benjamin Constant Botelho de Magalhães, em 1891, a memória de sua vida e a casa onde veio a falecer povoaram as discussões políticas da República que nascia. Por sua vida e morte, tanto os elementos abstratos que representava (civismo e regeneração) quanto a dimensão material de sua existência (sua casa) foram apropriados pelos viventes para a construção de um patrimônio nacional republicano. Nesse processo, podemos identificar o papel das imagens e a forma como elas foram instrumentalizadas para transformar uma residência oitocentista num museu histórico. A proposta é articular tipos variados de produções e efeitos visuais, desde a imagem mental, passando pela mítico-religiosa até as fotografias e as cores das fachadas, para delinear uma interpretação histórica do Museu Casa de Benjamin Constant.

Benjamin Constant Botelho de Magalhães, o próprio: o primeiro a dar referências
para a construção do espaço simbólico que é nosso museu casa.


Os dois personagens principais, Benjamin Constant Botelho de Magalhães, o Fundador da República, e Benjamin Constant de Magalhães Fraenkel, o neto, forneceram as primeiras referências para a construção do museu enquanto espaço simbólico. O primeiro, através da sua carreira intelectual e papel político na Proclamação da República, mas sobretudo pela imagem mítica que ganhou, postumamente, dos positivistas brasileiros. O segundo por suas sketches, desenhos, fotografias e descrições das memórias que tinha da “casa de vovô”, que serviram para recompor os ambientes físicos do prédio que virava museu, na década de 1970.


Mas o que isso tem a ver com esta Semana de Museus e os indizíveis da história? Bem, na década seguinte, a residência de Benjamin Constant passava por uma de suas obras de restauração (já havia sido restaurada e, em parte, demolida nos anos 1970). As referências sobre o que restaurar, o que retirar e que cores usar nas fachadas eram conflitantes e as discussões em torno delas apontam para os significados historicamente construídos da memória e da história, compartilhados e disputados pelos profissionais do patrimônio, como arquitetos e museólogos do IPHAN. Um desses profissionais, não sei se era positivista, certa vez disse: “o referido estudo [de cores] pautou-se sobre informações orais transmitidas pelo neto de Benjamin Constant (...); as informações orais não são consideradas fontes fidedignas e muito menos científicas, principalmente quando o registro data da infância, além de já termos constatado que os depoimentos do neto nem sempre correspondem à realidade comprovada”. (IPHAN, 6ª S.R., Informação nº 337/89)

Benjamin Constant de Magalhães Fraenkel, o neto, na foto, ainda criança: foi o segundo personagem
a prover, através de desenhos, fotografias, descrições e memórias, uma base sobre a qual se
recomporia os ambientes físicos do prédio que virou museu sobre a vida de seu avô.


Na medida em que os argumentos, de lado a lado, se apoiavam em boa medida em imagens e narrativas, no que se podia dizer com fidelidade, e o que era dito mas não era verdade, o processo é uma interessante plataforma de observação para uma cultura visual essencialmente histórica, pois indicam escolhas de indivíduos e instituições que, ao atribuírem historicidade aos objetos, modelam os espaços republicanos de vivência social e as dimensões, também visuais, da experiência cultural de visitar um museu nacional. No fim das contas, um museu comunica, bem ou mal. Mas é necessário vasculhar arquivos para descobrir os desditos."

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

MUSEU CASA DE BENJAMIN CONSTANT FECHADO PARA RESTAURAÇÃO A PARTIR DE 2 DE JANEIRO de 2017



Comunicamos que a partir da próxima segunda feira, dia 2 de janeiro de 2017, o Museu Casa de Benjamin Constant estará fechado à visitação pública por aproximadamente um ano. Serão executadas obras de Restauração da casa onde residiu o “Fundador da República”, restabelecendo a integridade de seu patrimônio arquitetônico tombado.

Os trabalhos têm duração prevista de um ano enquanto uma importante restauração nas coberturas das edificações que compõem o conjunto arquitetônico da antiga chácara, além de uma revisão das esquadrias e pisos, e de um nivelamento do pátio central serão executados por empresa especializada. Deste modo, todo o parque estará interditado para visitas por questões operacionais e de segurança.

Nossa equipe de servidores estará executando serviços internos e portanto o museu não estará vazio. Caso seja preciso, entre em contato conosco através da página no Facebook especialmente criada para que possamos mostrar como está o andamento do trabalho aqui dentro e para que os vizinhos possam nos contatar a respeito de qualquer questão relativa aos trabalhos em curso. Essa página é a www.facebook.com/ObrasRestauroMCBC

Nossos e-mails e demais mídias sociais na internet também estarão à disposição para recados e mensagens, os quais tomaremos conhecimento para resolvermos as questões com brevidade. Será ótimo podermos contar com o auxílio de todos nos ajudando neste período delicado que há de passar como toda obra passa: demora, mas passa. E quando a gente percebe, já está na hora de fazer outra, não é mesmo?


A DIREÇÃO