quarta-feira, 18 de maio de 2016

Paisagens Culturais cariocas em nosso acervo fotográfico



Tema da 14ª Semana de Museus, que acontece neste ano em nosso país, "Museus e Paisagens Culturais", é um assunto da maior importância em nosso país. Conforme aponta o texto da apresentação do evento capitaneado pelo IBRAM - Instituto Brasileiro de Museus, "(...) esse tema reforça o papel sociocultural das instituições museais. Quando chamados a abrirem suas portas para seus contextos externos, enfatiza-se a necessidade da valorização das culturas e da diversidade paisagística do país, que possui um mosaico de bens culturais".

Foto 138 - Praia com Pão de Açúcar em segundo plano.
As chamadas "Paisagens Culturais" enfatizam a relação do homem com o meio ambiente e são definidas como uma "porção peculiar do território nacional, representativa do processo de interação do homem com o meio natural, à qual a vida e a ciência humana imprimiram marcas ou atribuíram valores", e foram incorporadas pela UNESCO, no ano de 1992, como mais uma categoria de Bens Culturais. A Portaria nº 127, de 2009 do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico - instituiu a chancela da "Paisagem Cultural Brasileira" em nosso país.

Foto 557 - Rua Payssandú: palmeiras ao longo da rua com Corcovado ao fundo.


A cidade do Rio de Janeiro foi a primeira cidade do mundo a receber o título de "Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural" no ano de 2012, pela UNESCO, o que inclui o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Floresta da Tijuca, o Aterro do Flamengo, o Jardim Botânico, a Praia de Copacabana e a entrada da Baía da Guanabara.

Foto 583 - Panorama de Copacabana: quarteirões de casas e prédios
cortados por ruas, montanhas e mar - circa 1931.

Desta forma, ao consultarmos nosso Acervo Fotográfico - que possui mais de 5 mil fotografias em diversas técnicas fotográficas - selecionamos imagens destas importantes paisagens culturais de nossa cidade, registradas nos séculos XIX e início do XX. Vejam nestes poucos exemplos retirados de nosso Fundo Gal. Pery Constant Bevilaqua, um pouco da beleza natural destes pontos com os quais nos deparamos quase todos os dias.

Foto 588 - Hotel Glória com Baía de Guanabara e Pão de Açúcar ao fundo. Circa 1934.

Foto: 635 - Praia de Copacabana.

Foto 636 - Jardim Botânico.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

14ª Semana de Museus

No cartaz do evento, como no ano passado, outra obra de Portinari: "Pipas", de 1941, teve seu
direito de reprodução gentilmente cedido ao IBRAM pelo Projeto Portinari.

E lá vem a - já tradicional - Semana de Museus de todo mês de maio. Neste ano o tema indicado pelo ICOM - Conselho Internacional de Museus é "MUSEUS E PAISAGENS CULTURAIS", e vai nortear os eventos que ocorrerão em mais de 1.200 instituições em todo o país, na semana que vem, entre 16 e 22 de maio. Vamos ver alguns destaques da programação?

O Museu da Abolição funciona no sobrado que foi sede do Engenho Madalena
e residência do conselheiro abolicionista João Alfredo.

  • O Museu da Abolição, no Recife, escolheu como tema central a paisagem do Mangue e as Pescadoras e a programação já começa no domingo, dia 15, com o "II Encontro de Crespas e Cacheadas" do estado - evento de empoderamento, aceitação e valorização dos cabelos crespos, cacheados e transicionados. De 16 a 20/05 vai ter a "Oficina de Grafite Abolir: Mulheres na luta por terra, teto e alforria", com a participação de 15 alunos das escolas próximas à instituição, resultando numa exposição das peças produzidas durante a oficina. No dia 22 inaugura uma exposição de fotos com mulheres negras, produto do catálogo do cabeleireiro Felix Oliveira.
  • No Museu Histórico de Mato Grosso vai haver uma série de atividades: entre os dias 17 e 21/05, das 9h às 17h, acontecem duas exposições sobre o tema da semana de museus: a primeira, de fotos amadoras; a segunda, com o tema mais especifico de "Paisagens Culturais de Mato Grosso" ocorre em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB do estado. E às 17h do dia 21/04, tem encontro de profissionais e estudantes de Arquitetura, Geografia e Direito, com palestras e debates sobre o tema "Paisagens Culturais".
O Palacete das Onze Janelas foi construído no século XVIII como residência de Domingos da Costa Bacelar,
proprietário de engenho de açúcar. Em 1768 a casa foi adquirida pelo governo do estado e serviu de
hospital a quartel militar. Hoje abriga um museu e é um dos cartões postais da capital paraense.
  • Em Belém, no Pará, o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas vai realizar a oficina "Formas da Paisagem", de captação áudio visual de sons e imagens presentes no entorno da instituição mais exibição de mapping. As inscrições vão até o dia 13/05 e o evento ocorrerá entre os dias 18 e 21/05, das 14h às 18h.
  • O Museu de Favela, que envolve as comunidades do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo nos bairros de Copacabana e Ipanema aqui no Rio, programou uma Ação Educativa nos dias 20 e 21/05, das 15h às 18h: vai ter uma Mesa Redonda com fotógrafos da comunidade, visitas abertas e a exposição "A Paisagem Encantada do Museu de Favela", incluindo Pontos de Memórias e cultura local. 

Em Inhotim, uma linda paisagem natural e cultural a ser explorada.
  • Em Minas, o Insituto Inhotim tem diversos eventos: entre os dias 18 e 22/05, das 10h às 15h, na oficina "Construindo Paisagens", os participantes utilizarão técnicas de colagem e assemblage, para criar sua própria paisagem cultural. E nos dias 19 e 20/05, das 10h30 às 12h, haverá visita temática especial “Inhotim - uma paisagem cultural” que se propõe a abordar quais são as peculiaridades deste espaço, sua transformação ao longo da sua existência, até sua formatação como paisagem cultural.
  • Na cidade de Gramado, Rio Grande do sul, o Espaço Cultural Estação Férrea Várzea Grande (também conhecido como "Museu do Trem"), promete uma série de atividades. Logo no dia 16/05, além da solenidade de abertura da semana, haverá apresentação da Orquestra de Violões da cidade às 14h e, logo a seguir, espetáculo teatral infantil. Neste dia até 20/05, entre 14h e 17h, estará aberta a exposição "Paisagens Culturais Gramadenses", com peças da Associação de Artes Visuais de Gramado. Também no dia 16, às 19h30, acontece a palestra "Museus e Paisagens Culturais" com a museóloga Daniela Schmitt, fora do museu: será no Auditório do Centro Municipal de Cultura da Várzea Grande. No dia seguinte, 17/05, entre 14h e 16h, tem Oficina de Desenho Artístico com o tema "Paisagens Culturais de Gramado", sob a batuta do professor Marco Antônio Bossardi. Para completar, no dia 18/05, às 14h, há o encontro do Projeto Gramado Histórias e Memórias: Lembranças do Trem, com Nair Gil de Castilhos e Lisete Casagrande - participação da mediadora Nilva Baretta, que é diretora do Centro Municipal de Cultura Várzea Grande.

Para ter acesso à programação completa em todo o país, consulte a página Guia da Programação da 14ª Semana de Museus no site do IBRAM.

Um momento na paisagem de nosso museu.


O Museu Casa de Benjamin Constant estará aberto na Semana de Museus, entre os dias 16 e 22 de maio, de segunda a domingo, das 10h às 17h, com entrada franca. Venha nos visitar!

Utilize a hashtag " #semanamuseus2016 " em suas publicações nas mídias sociais e conte pra todo mundo que você curte museus!

Acompanhe a Semana de Museus e o IBRAM nas mídias sociais:

quinta-feira, 28 de abril de 2016

O Dia Internacional da Terra - 22 de abril

A bandeira/símbolo - ainda não oficial - do Dia da Terra.

Assim como publicamos aqui uma nota sobre o Dia Mundial da Água, registramos agora a passagem do Dia da Terra, no último dia 22 de abril. Proposto pelo senador norte americano (e ativista ambiental), Gaylord Nelson, no dia 22 de Abril de 1970, visava gerar conhecimento sobre os problemas de desequilíbrio ecológico, de conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger nosso planeta natal.

Durante a primeira manifestação, o Senador Nelson tentou criar uma agenda ambiental. Neste dia, duas mil universidades, dez mil escolas primárias e secundárias e centenas de comunidades dos Estados Unidos fizeram pressão sobre seu governo, que acabou por criar a Agência de Proteção Ambiental - Environmental Protection Agency - além de uma série de leis destinadas à proteção do meio ambiente. Dois anos depois, aconteceu a Primeira Conferência Internacional sobre o Meio Ambiente - também conhecida como "Conferência de Estocolmo", de que já falamos aqui - agora com o objetivo maior de sensibilizar os líderes mundiais sobre a ameaça que representam os diversos problemas ambientais pelos quais passamos.

O parque de nosso museu: um pequeno ecossistema que nos mostra, dia a dia,
a importância da preservação ambiental.

Mas, é importante que se diga, que o Dia da Terra é uma festa que pertence às pessoas, e não está regulada por somente uma entidade ou organismo, nem tampouco está relacionada a reivindicações políticas, nacionais, religiosas ou ideológicas. O ideário dos ativistas que o abraçam sempre se refere à tomada de consciência dos recursos naturais da Terra e seu manejo, da educação ambiental e da presença no mundo como cidadãos ambientalmente conscientes e responsáveis. Neste dia, todos são convidados a participar de atividades que promovam a saúde do nosso planeta, tanto a nível global como regional e local.

Os grupos de ambientalistas reservam este dia como um bom momento para avaliar os problemas do meio ambiente do planeta: a contaminação do ar, da água e dos solos, a destruição de ecossistemas, centenas de milhares de plantas e espécies animais dizimadas, e o esgotamento de recursos não renováveis. Também é o dia em que se pensa em soluções que permitam eliminar os efeitos negativos das atividades humanas, se valendo do incentivo à reciclagem de materiais manufaturados, à preservação de recursos naturais - até mesmo o petróleo e a energia - à proibição de utilizar produtos químicos danosos, ao fim da destruição de habitats fundamentais como as florestas tropicais e à proteção de espécies ameaçadas. Por esta razão, este é o Dia da Terra.

Biodiversidade: conjunto de todas as espécies de seres vivos existentes
em determinada região ou época. Mantê-la, é manter a "mãe Terra".

No ano de 2009, a Organização das Nações Unidas - ONU reconheceu o dia, e o definiu como o "Dia Internacional da Mãe Terra".

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Tiradentes, heroi da República

No último mês de novembro, em pleno dia 15, Proclamação da República, tivemos o prazer de receber em nosso parque o grupo "História Através da Música" que fez uma leitura dramatizada de seu espetáculo "República - Era de Heróis". Desta apresentação, muito ficou. Revelamos agora um fragmento, ressaltando a história de Tiradentes, cuja lembrança se faz a cada dia 21 de abril, data de sua morte por enforcamento, por ordens de D. Maria I, rainha de Portugal (mãe de D. João VI), tendo em vista ter sido apontado como o líder do levante que se chamou "Inconfidência Mineira": incidente tramado na cidade de Vila Rica (hoje, Ouro Preto), quando um grupo de jovens pensava em declarar a independência do Brasil de Portugal. O historiador Romney Lima, que faz parte do grupo musical, criou um roteiro que mostra como Joaquim José da Silva Xavier, de esquecido traidor da coroa, passa a exaltado heroi do país cuja República estava para começar. Veja o vídeo abaixo:


Em seguida, o ator Gustavo Arthiddoro se apresenta como Tiradentes e explica um pouco de sua história e legado. Ao final, o grupo canta "Exaltação à Tiradentes", samba enredo de 1949 da Escola de Samba carioca Império Serrano. Assista:


(Fala de Tiradentes)
"Os senhores devem estar se perguntando o que é que um personagem como Tiradentes faz num evento no Museu Casa de Benjamim Constant, no dia da República... achei que fosse oportuno fazer um esclarecimento: foi só na República que eu me tornei um herói. Antes, nem a minha morte por enforcamento, que é uma morte trágica, bonita, não teve tanta repercussão. Foram os primeiros militares da República que viram na patente do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, um símbolo que lhes serviria perfeitamente para agregar adeptos. Foi assim que passados exatos 100 anos depois da minha morte eu virei feriado nacional, fui pintado em quadros por grandes pintores, como um Mártir, inclusive de barba lembrando Jesus Cristo, embora eu tenha sido enforcado de cabelo e barba raspado como convém ao protocolo de um bom enforcamento".

(Ele abre um livro com os autos de sua sentença)
Rio de Janeiro, 19 de abril de 1792. Acordam em relação aos Juízes da Alçada, etc, etc... Mostra-se que entre os chefes e cabeças da conjuração, o primeiro que suscitou as ideias de República foi o réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, etc, etc... Portanto condenam o réu a que, com baraço e pregão, seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca e nela morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde no lugar mais público será pregada em poste alto, até que o tempo a consuma; e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregado em postes pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios de maiores povoações, até que o tempo também os consuma; declaram o réu infame, e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens aplicam para o fisco e Câmara real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique”.

Clique aqui e veja como foi o evento

Leia mais sobre o grupo "História Através da Música" 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Uma preciosidade!

O "zoom" na peça, que despertou a curiosidade dos participantes da Museum Week já na sexta feira à tarde.

Dentre as peças de nosso acervo museológico destacadas por ocasião da "Museum Week" - evento virtual sobre o qual falamos aqui e aqui - no sábado, dia em que a 'hashtag "#zoomMW" foi utilizada para chamar a atenção para detalhes e histórias de nosso museu, chamou a atenção de muita gente este lindo objeto em metal pintado: trata-se de um porta canetas em forma de galho com vários passarinhos pousados sobre o mesmo. A peça está exposta em nossa casa histórica na sala reservada ao escritório de Benjamin Constant.

Delicado e muito bonito, o porta canetas que fica sobre a mesa de BC
sempre chama a atenção dos visitantes de nosso museu casa.
Clique para ver maior.
Doado ao acervo museal pela família de nosso patrono em 1960, o porta canetas é de fabricação do século XIX, mas não se comprovou até o momento uma ligação clara do mesmo com a figura de BC, sendo apenas - por enquanto - um objeto de composição do ambiente. Mesmo assim, vale a pena observar o apuro de seu fabrico e sua delicadeza, tão próprias de uma época quando qualquer pequeno utilitário era valorizado por lindos trabalhos decorativos - às vezes feitos artesãos especializados em um determinado material - com o intuito de transformar estas peças em verdadeiras obras de arte. Podemos afirmar que esta é uma delas.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Admirável mundo virtual

Perspectiva de projeto com nova expografia para nosso Museu Casa exibida na Museum Week #future

Conforme anunciamos aqui, neste ano tomamos parte da Museum Week, evento virtual que aconteceu no Twitter entre os dias 28/03 e 3/04/2016. Foi uma semana das mais interessantes e por isso voltamos ao assunto agora.

Nosso Museu aparece em destaque nas estatísticas de participação de
instituições brasileiras na Museum Week 2016 - Fonte: www.museumweek2016.org
Clique para ver maior.

Instituída pela rede social que permite aos usuários enviar e receber atualizações pessoais de outros contatos em textos de até 140 caracteres - também chamada de microblogging - o Twitter propiciou um excelente espaço para divulgação de 3.500 museus e centros culturais de todo o mundo, sem esquecer dos novos contatos e trocas que aconteceram durante o evento. Foi notável a participação de várias instituições brasileiras que possuem belos trabalhos em diversos temas. Os grandes museus internacionais também estiveram presentes com suas peças de arte que são verdadeiros patrimônios da humanidade, além de uma expertise sem par. Mas foi, antes de tudo, um momento de descobertas, de mostrar o que cada um faz, com holofotes para todos os tipos de trabalhos.

O cotidiano e o "por trás das câmeras" de cada um dos participantes foi bem evidenciado e deu gosto ver como algumas coisas acontecem dentro de vários equipamentos culturais: a conservação das peças de arte de séculos atrás, a pesquisa - viva - dos museus de ciências - o ofício de contar a história de um povo, país ou região para as novas gerações. Cada um com seu "show" e sua forma de ser, mostraram o que de melhor possuem para o público virtual.

Na página oficial do evento é possível ver nossos tweets durante a semana
além das estatísticas de participação/interação.
Clique para ver maior.


Para nossa surpresa, além do aumento do conhecimento sobre o museu de quem já nos "segue" nesta mídia, houve quase 130 novas adesões - ou seja, muita gente se interessou pelo que contamos e mostramos, passando a seguir nosso perfil - e cerca de 160 "curtidas", só no Twitter, sem contar as interações em nossa página no Facebook. Além disso, é inegável a qualidade das interseções e contatos feitos com outras instituições, brasileiras e de todo o mundo: os "retweets" (repetição de um tweet feito por uma outra pessoa/perfil), nos proporcionaram uma visibilidade das melhores. Foi bom começar a ser conhecido em outras cidades do país e do mundo - pois todas as interações foram feitas também em inglês - e também foi muito bom conhecer novos colegas do ofício museal.

Foi de fato um grande encontro virtual que, a nosso ver, só tende a crescer em importância e números, reduzindo distâncias não apenas físicas, mas também em quantidade de visitas e da própria disseminação do conhecimento através da internet. É como se um enorme "megafone virtual" fosse disponibilizado a todos os museus do mundo e, a partir disso, as histórias e o patrimônio de cada um deles estivesse ao alcance de um simples clique.

Siga nosso Twitter: www.twitter.com/museu_bconstant

Conheça nossa página no Facebook: www.facebook.com/MuseuCasaBenjaminConstant

quarta-feira, 30 de março de 2016

Nosso Museu: Casa Histórica, Casa de Bernardina e Parque

Esta é a entrada de nosso museu parque, na rua Monte Alegre, 255 em Santa Teresa.
Fica no recuo à esquerda de quem sobe a rua, a partir da Rua do Riachuelo.
O espaço é aberto ao público, diária e gratuitamente, entre 8h e 17h.

Uma das coisas que sempre causa surpresa em nosso museu são as duas casas presentes no terreno de nosso parque. O que são cada uma delas? O que têm dentro? O que foram no passado? Para diminuir um pouco a curiosidade que todo visitante tem ao aqui chegar, fizemos este pequeno post.

A casa histórica, vista de quina, desde o caramanchão

Em primeiro lugar, é preciso que se diga que consideramos - MUSEU - todo o espaço do terreno que tem entrada pela rua Monte Alegre, nº 255 em Santa Teresa, Rio, que faz fronteira com as ruas do Triunfo e com a Ladeira do Castro. Daí que, quando queremos nos referir apenas à casa onde tudo começou, onde realmente morou Benjamin Constant, usamos a expressão "casa histórica". Já falamos muito sobre ela por aqui, mas vamos rever alguns pontos: construída por volta de 1860 por Antônio Moreira da Costa Santos, foi alugada por nosso patrono que aqui residiu apenas entre 1890 e 1891, quando veio a falecer. Por ter sido a última residência em que viveu o Fundador da República - título concedido à época à Benjamin - ficou definido na Constituição de 1891 que o Governo Federal deveria adquirí-la, tanto para garantir ao país a posse eterna da casa onde morou um dos herois do novo regime - criando assim um lugar de memória - quanto para garantir o sossego do fim do aluguel à família de poucos recursos, que a utilizou em usufruto até o início dos trabalhos que transformariam a propriedade em um "(...) museu de documentos de toda a sorte sobre o ínclito cidadão". Tombada pelo Patrimônio Histórico Federal em 1958, a casa se transformou no Museu Casa de Benjamin Constant, aberto em 18 de outubro de 1982 com a missão de reconstituir o ambiente familiar e o contexto sócio cultural em que viveu o Fundador da República, por meio da reconstituição de ambientes, hábitos e costumes da época.


A Casa de Bernardina tem dois andares e um belo interior cheio de detalhes
da época de sua construção, no início do século XX.
Quando falamos da sede administrativa de nosso museu - ou "anexo", ou ainda "casa amarela" - nos referimos à "Casa de Bernardina", assim denominada por ter sido construída por João de Albuquerque Serejo e sua esposa, Bernardina Constant de Magalhães, uma das filhas de nosso patrono. A construção deste solar se deu entre 1905 e 1920 e muitas de suas características arquitetônicas lembram o período. Quem a visita se maravilha: dos pisos em parquet de madeiras nobres super trabalhados aos inúmeros azulejos nas paredes, tudo é belo, exclusivo, diferente e antigo. O pé direito alto (distância do piso ao teto), deixa o vento circular bem e as grandes janelas e portas - todas em profusão - têm um quê de passado encantador.

Cheia de belos detalhes arquitetônicos, o interior da Casa de Bernardina surpreende.

Quando da abertura do museu, em 1982, esta casa não estava aberta. Guardava uma série de objetos que ainda seriam incorporados à exposição do museu e outros muitos que foram descartados com o tempo, por terem pertencido à família mas não terem mais função no museu atual. Depois, em 1989, a FUNARTE a utilizou como Centro de Documentação e Informação. Tal situação perdurou até o ano de 2011, quando então o museu passou a se configurar como é hoje, e nós passamos a ter nossa sede administrativa separada do corpo da casa histórica - anteriormente toda a administração "se espremia" numa pequena sala da casa histórica. A Casa de Bernardina não é tombada, mas é tratada como se fosse por participar do mesmo terreno de um bem histórico tombado.

Planta gráfica de toda a área de nosso museu com parque, Casa Histórica,
Casa de Bernardina e caramanchão. Clique para ver maior.
Ilustração: Marcos Martins

No entorno, temos o já famoso Parque do Museu. Resultante da antiga chácara que circundava a casa histórica, possui mais de dez mil metros quadrados de puro verde remanescente da Mata Atlântica. Algumas áreas são mais conhecidas, tais como o caramanchão - lugar de encontros, piqueniques e apresentações - o canteiro ecológico - onde oferecemos mudas para qualquer um levar - e plantar, claro! - a guarita - localizada logo na entrada do parque, onde ficam alguns de nossos vigilantes. Há também o platô inferior - que tem como limite a Ladeira do Castro, temporariamente interditado - e o platô superior - local do mirante, das trilhas, caminhos e muita natureza reinante. O parque pertence à APA de Santa Teresa - leia mais aqui - e é motivo de toda nossa atenção e cuidados, tendo em vista ser um verdadeiro "acervo verde" próximo ao centro de uma metrópole como o Rio de Janeiro.

#architectureMW #MuseumWeek 

terça-feira, 29 de março de 2016

Um servidor sem par


Neste dia em que destacamos as pessoas que "fazem" nosso museu, dentro da Museum Week, gostaríamos de prestar uma singela homenagem a Luis Antonio Vitoriano dos Santos. Nosso Chefe de Serviço é uma das pessoas que mais conhece de nosso museu, passado, presente e futuro, mas não é só isso: é um ser dos mais especiais, sempre a postos para ajudar a qualquer um que precise.

Apresentando nosso Acervo Documental ao ex-presidente do IBRAM, Angelo Oswaldo.


Sua história profissional se confunde com a de nosso museu: em 1982 fez curso de guiamento de visitantes no Museu Nacional de Belas Artes ainda menor, durante três meses, após os quais foi requisitado pela primeira diretora de nosso museu casa, Hercília Vianna, para formar uma pequena equipe de atendimento ao público na recém inaugurada Casa de Benjamin Constant. Ao completar 18 anos em 1984, foi contratado pela Fundação Pró Memória e continuou seu trabalho por aqui, tendo percorrido praticamente todas as áreas de nosso museu: além da recepção, auxiliou na conservação de nossos amplos jardins e também na recuperação de antigos documentos e objetos que ainda chegavam ao museu para fazer parte dos acervos histórico e museológico. Decidiu-se por se formar Arquivologista, cursando a faculdade entre 1996 e o ano 2000, quando passou a lidar oficialmente com o acervo histórico do museu. Participou da primeira grande obra de recuperação do museu em 1989, além de ter participado de dois grandes projetos de nosso museu: a Criação do Banco de Dados do Acervo Museológico em 1999 e a Organização do Arquivo Documental - entre 1999 e 2006. 

Recebendo condecoração de nossa diretora, Elaine Carrilho.


Hoje em dia Luis Antonio é nosso colega mais querido e mais disponível. Tem coisas que guarda de memória, tais como "onde está o trabalho de museologia feito em..." Também tem fácil em mente "onde aquela pasta que guarda antigos projetos do museu". Uma boa memória, sem dúvida, mas também um esforçado colega de trabalho que atua tanto no campo museal quanto no administrativo com primor! Corretíssimo em suas atitudes e posturas, é servidor exemplar. Extremamente discreto e muito tímido, nos desafia a cada vez que tentamos prestar-lhe uma homenagem como agora, pois não comenta o que já fez pela Casa de Benjamin Constant. Sempre disposto a ajudar, Luis Antonio é daquelas raras pessoas que se destacam por seu conhecimento, profissionalismo, engajamento, mas também por sua simpatia, bom humor e companheirismo: é aquele amigo com quem se pode contar e, sem dúvida, uma daquelas pessoas que não nos esqueceremos com facilidade.

#peopleMW #MuseumWeek