sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Os amigos de Benjamin Constant

Sempre preocupado e dedicado aos conhecidos e amigos, além de ser um cavalheiro, Benjamin Constant foi aos poucos tecendo uma teia de sólidas amizades em torno de si. Amizades estas que se transformaram em parentesco, outras que lhe foram fundamentais em alguns momentos, outras ainda que fizeram parte da história de nosso país. Neste post vamos destacar alguns destes personagens que, se não são históricos como nosso patrono, são dos mais importantes em sua história de vida.


Claudio Luis da Costa - amigo de longa data, diretor do Instituto Imperial dos Meninos Cegos onde Benjamin lecionou, Claudio tornou-se seu sogro ao casar sua filha, Maria Joaquina, com Benjamin, em 1863. Claudio possuía ligações com figuras importantes do Império e por este motivo pode auxiliar Benjamin em sua carreira como professor, que já havia prestado tantos concursos, sendo aprovado, sem no entanto assumir os cargos. Após o retorno de Benjamin da Guerra do Paraguai, foi seu sogro quem o direcionou a ser diretor do Instituto em seu lugar.



Carlos de Laet - Professor e escritor, ex-colega da Escola Normal, Carlos de Laet era monarquista e, mesmo assim, amigo de Benjamin. Formado em Engenharia, não quis seguir a carreira preferindo voltar-se para o magistério e o jornalismo. Deixou-se seduzir pela política e, em 1889, seus amigos monarquistas insistiram para que aceitasse uma cadeira de Deputado. Eleito, a Proclamação da República privou-o da cadeira. Manteve-se monarquista e fiel ao culto de D. Pedro II. Após a mudança do regime, o Governo Provisório decidiu extinguir quaisquer reminiscências da monarquia e, dentre as medidas, estava a que alterava o nome do "Colégio Pedro II" pelo de "Instituto Nacional de Instrução Secundária". Laet se manifestou contra a decisão e acabou demitido do colégio. Pouco depois, Benjamin Constant logrou transformar o ato de demissão em aposentadoria.

Teixeira Mendes - filósofo, matemático, positivista e biógrafo de Benjamin Constant, Teixeira Mendes era um ferrenho defensor do positivismo de Auguste Comte. Foi vice diretor da Igreja Positivista do Brasil e, ao longo da década de 1880, disseminou suas ideias pelo país, tais como a defesa da abolição da escravatura, a proclamação da república, a separação entre a Igreja e o Estado e a inclusão social. Sua influência aumenta quando Benjamin Constant lidera o movimento da Proclamação da República. Imediatamente após o ato, reunido com Benjamin e Miguel Lemos, avaliou o movimento e a situação que, embora tivesse tomado direção diversa da que desejavam recebeu seu apoio e portanto, o apoio da Igreja Positivista. Participou da criação da bandeira nacional, atualizando-a.

Miguel Lemos - colega de Benjamin na Escola Politécnica, fundou junto com ele em 1876, a Sociedade Positivista Brasileira, a primeira do Brasil. Esteve em Paris onde o pensamento positivista era mais forte, tendo contato com algumas de suas vertentes. De volta ao Brasil, iniciou uma enérgica ação política, social e religiosa a partir dos princípios do Positivismo, transformando a antiga Sociedade Positivista do Brasil em Apostolado e Igreja Positivista do Brasil, de onde foi diretor.


Demétrio Ribeiro - nascido em Alegrete, Rio Grande do Sul, foi o primeiro Ministro da Agricultura da República e autor do projeto que transformaria a casa de Benjamin Constant em museu. Ribeiro foi professor, engenheiro, jornalista e político. Conheceram-se na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e bacharel em ciências físicas e matemáticas e retornou ao sul para ministrar aulas na Escola Central. Ferrenho opositor do Império, foi constantemente remanejado segundo o queira Dom Pedro II. Teve grande influência na organização da República, quando foi eleito deputado federal constituinte e nomeado ministro logo após sua proclamação, em 7 de dezembro de 1889. Deputado constituinte em de janeiro de 1890, retornando à câmara. Ali como Deputado Federal na Constituinte de 1891, propôs a separação da Igreja do Estado e o Decreto relativo às festas e aos feriados nacionais, foi fundador do Lloyd Brasileiro, e também ajudou a traçar planos de articulação das linhas de ferro em diversas regiões do país.

Joaquim Murtinho - nascido em Cuiabá em 1848, foi médico homeopata, engenheiro civil, político e estadista. Fez curso de Ciências Naturais na Escola Central, hoje Escola Nacional de Engenharia. Formou-se Doutor em medicina e especializou-se em homeopatia. Foi também professor catedrático da Escola Politécnica e vice-presidente do Senado. Foi médico particular de Benjamin durante muitos anos e participou do novo regime republicano por ter sido eleito senador em 1890.

Marechal Cândido Rondon - aluno e admirador de Benjamin, tornou-se órfão precocemente, tendo sido criado pelo tio e, depois de sua morte, transferiu-se para o Rio de Janeiro para ingressar na Escola Militar. Em 1885 matricula-se em seu primeiro curso de matemática na Escola Militar quando conhece Benjamin Constant e é por este introduzido ao positivismo. Também esteve na Escola Superior de Guerra, e ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano. Em 1889, participou diretamente das articulações que resultaram na proclamação da república brasileira







Outros nomes, famosos ou não, tais como Evaristo Xavier da Veiga - também chamado por Benjamin, como "o Veiga", seu amigo íntimo - Roberto Trompowsky - cofundador da Sociedade Positivista - Antonio Valeriano da Silva Fialho, o "Chloro" - amigo e correspondente durante a Guerra do Paraguai - e Jose Bevilaqua - que se tornou seu genro - também fazem parte de sua lista de amigos que ajudaram o patrono a navegar pela vida sempre com bons companheiros.

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