quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O simbolismo da Bandeira do Brasil


Você sabe direitinho o que significam as cores da bandeira do Brasil? E porque elas foram escolhidas no momento da confecção da bandeira? Neste ótimo texto da museóloga e ex-diretora de nosso museu, Vânia Dolores Estevam de Oliveira, algumas questões são explicadas de forma fácil e direta. Acompanhe-nos nesta boa leitura:

"O símbolo nos fala ao nível mais profundo, do mental abstrato, do conhecimento arquetipal, do conhecimento que se traz de vidas anteriores, em nossa caminhada evolucional. O símbolo é didático, iniciático, evocativo. Ele representa ou reapresenta seu significado ao nosso “eu” mais profundo. A bandeira do Brasil é um símbolo também na medida em que evoca o sentimento nacional apenas pelo olhar. O tremular da bandeira da pátria nos transmite um sentimento profundo de nacionalidade. Ao lado do hino nacional, do brasão de armas e do selo nacional, a bandeira é um dos símbolos, que constituem-se nas marcas da nação. Na bandeira do Brasil, além da simbologia própria de uma bandeira, estão contidos símbolos de sentidos mais ocultos e transcendentais.

A elaboração de uma bandeira obedece a padrões estabelecidos pela ciência dos brasões e bandeiras, a heráldica, que para isso estabelece uma série de leis que devem ser rigorosamente seguidas para a perfeita leitura e compreensão de suas criações, onde quer que se esteja. A atual bandeira nacional, idealizada logo após a Proclamação da República, em 1889, teve seu projeto elaborado por Raimundo Teixeira Mendes, com a colaboração de Miguel Lemos, por Manuel Pereira Reis, professor de astronomia da Escola Politécnica, que deu às estrelas a projeção desejada e desenho de Décio Vilares, conceituado pintor da época. Teve como intermediário no jogo político pela sua aprovação, Benjamim Constant, mentor intelectual da proclamação da república.

Apesar das críticas de alguns especialistas à permanência das cores e formas da bandeira do período monárquico, ao lema positivista, à configuração do céu (em especial a colocação do Cruzeiro do Sul), à simbologia sem fundamento, do azul e branco e das estrelas, à inobservância das leis heráldicas, às falhas na aplicação do Decreto de criação e ao alto custo de confecção, podemos analisar sob um prisma mais oculto, uma série de características que justificam o aparente desrespeito às leis heráldicas.


A permanência das cores verde e amarelo da bandeira do período monárquico são justificáveis pela transição, até certo ponto pacífica, do regime anterior para o republicano. Representando popularmente as riquezas vegetais e minerais do Brasil, o verde e o amarelo, por associação, ligam-se também às forças telúricas. Nos falam de vegetação, de semente e, por analogia, de futuro. O escudo em lisonja (na forma de losango), em heráldica é um escudo que representa uma casa ou família de origem feminina. O losango amarelo, desde a bandeira monárquica, sendo uma homenagem de D. Pedro I à Imperatriz Leopoldina e à casa d'Áustria, que nos deu nossas outras duas imperatrizes, fez de nossa bandeira a única que exalta a missão social da mulher no mundo contemporâneo. A bandeira brasileira é também a única que porta uma legenda positivista (Ordem e Progresso). O positivismo era o sistema filosófico-religioso vigente nos meios políticos e intelectuais da época e seu lema central era: "O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim". Os mentores da república pertenciam todos ao positivismo e foram também positivistas os idealizadores da bandeira republicana. O Amor, ausente da legenda, está simbolizado na introdução do globo azul, a cor do segundo Trono, o Trono da Mãe Divina, plano do Amor-Sabedoria. Azul é ainda a cor do manto de Nossa Senhora, na tradição cristã. O azul e branco refletem os desejos de paz e concórdia tão característicos do povo brasileiro e também os anseios de espiritualidade. As estrelas, marca dos países de regime federativo, são criticadas pela sua representação, segundo alguns, erradamente colocadas. As tentativas de reprodução do céu no momento da proclamação da república, vertem de um lugar imaginário (desconhecido da maioria dos seres humanos, diríamos nós) e tendo a cruz do Cruzeiro do Sul por elemento central, equivale a uma assinatura divina para o nascimento desta nação no momento em que ela se firmava como república, frente aos demais países do mundo. Ao retratar o céu, está como a nos dizer que teremos sempre o "céu por testemunha". As estrelas como aspecto desse céu, estavam igualmente associadas ao positivismo. Segundo tal doutrina, as estrelas constituem-se em "anexos subjetivos ou objetivos" do "planeta humano". A discriminação das estrelas, posterior à criação da bandeira, revela ainda mais simbolismos ocultos. A estrela Spica (alfa da constelação de Virgem), representando o Pará, nos aponta para a presença da mulher, da Virgem-Mãe, da Mãe de todas as Mães. Não é por acaso, mas por força da causalidade, que Nossa Senhora Aparecida é a padroeira do Brasil, segundo os católicos. Sirus, a mais brilhante estrela do céu, representando o estado do Mato Grosso, onde está localizada a região do Roncador, nos fala muito profundamente do futuro, da vinda do avatara Maitréia e de sua sagrada missão junto aos seres humanos, segundo nos ensinou o Mestre, Professor Henrique José de Souza, fundador da Sociedade Brasileira de Eubiose. A associação das estrelas da constelação do Cruzeiro do Sul aos estados que mais se vem destacando ao longo da nossa história nos alerta para algo que não pode tratar-se de mera coincidência ou escolha aleatória.

Independentemente de vitórias esportivas ou políticas, nós brasileiros, devemos ostentar com orgulho a bandeira desta pátria, especial e única em inúmeros sentidos.
"

AVE MARE BRASIL!

Vânia Dolores Estevam de Oliveira

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Desvendando "A Pátria" de Pedro Bruno

Réplica de "A Pátria", conforme presente em nosso acervo.
Realizado em 1909 - 20 anos, portanto, após a Proclamação da República e da confecção de nossa bandeira - o quadro "A Pátria", de Pedro Bruno, ainda intriga muita gente. Desde considerações sobre quem está representado no quadro (filhos de Benjamin Constant? Crianças comuns? Tiradentes em um quadro? Marechal Deodoro?) até sobre o significado das posições de cada personagem retratado até do lugar e da bandeira em si, tudo é bastante discutido. Neste texto da museóloga Isabel Sanson Portella temos algumas respostas, além de uma análise das melhores sobre a obra, que se encontra no Museu da República, no Rio, com uma reprodução constante de nosso acervo. Confira:

"Pintura 'A Pátria' (1909)

No Brasil, a partir de meados da década de 1890, depois de superada a instabilidade dos anos iniciais da República, vamos encontrar uma série de edifícios públicos sendo reformados ou construídos, nos quais a arquitetura, a decoração de interiores, a pintura e a escultura se farão necessárias[...] O país se firmava como nação independente e republicana, e a arte era considerada um lugar privilegiado para pensar a sociedade. O desejo de modernidade, de participar da rota do progresso, tornar-se uma grande nação, desfazer a imagem do exotismo tropical, do atraso e da inércia, permeava as mentes esclarecidas. Esses ideais, ao lado de outros emblemas e símbolos nacionais, contribuíram expressivamente para a formação da ‘alma’ dos brasileiros.

Pedro Bruno, autor da obra.

Pedro Bruno passou a frequentar a escola Nacional de Belas Artes como aluno de Baptista da Costa e, em 1919, conquistou o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro com aquela que talvez seja a sua famosa tela, “A Pátria”. Esta tela é uma alegoria, a máxima representação de uma expressão, de um sentimento da nação, mas também da construção do imaginário coletivo. Numa temática extremamente simbólica, Pedro Bruno utilizou-se de vários artifícios da técnica pictórica para a elaboração dessa tela, que hoje encontra-se na parede do salão Ministerial do Museu da República. Todos os que observam a pintura, mesmo os menos iniciados apreciadores de arte, não poderão deixar de se impressionar. Aproximando-se dessa obra de dimensões consideráveis (1,90 X 2,78 metros), percebe-se, em um primeiro momento, a construção de uma cena bucólica e familiar. A confecção da primeira Bandeira da República brasileira é uma alegoria ao nascimento do novo sistema de princípios positivistas no Brasil.

Com uma fatura impressionista, mas com iconografia complexa e rica em detalhes, a tela é invadida por uma luz intensa, que ilumina a criança com a bandeira, figura central do quadro. A cena formada principalmente por mulheres nos remete a Marianne (símbolo da Revolução Francesa). A mãe que alimenta o bebê (este representando a República que nasce), as várias crianças, as distintas gerações que formam essa nação, onde todos se empenham em oferecer suas contribuições. Quase dissolvido nas sombras, o velho, representa o passado. No quadro se destaca a luz intensa (a luz da República) contrastando com áreas de sombra. Uma sombra sem tristeza, pois esta simboliza um passado de glória. Alegoria, do grego 'allegoreno' ('allos', "outro" e 'agorein', "falar") significa 'falar de outro modo'; falar de outra coisa que não de si mesma. Já o símbolo, aproxima dois aspectos da realidade em uma unidade bem-sucedida ('sym', "conjunto'; 'ballein', "lançar", "colocar").


A obra exposta no Museu da República.

Pedro Bruno, em sua alegoria, não poderia deixar de mencionar as figuras de nossos heróis e mártires, símbolos da luta pela sobrevivência da Nação brasileira, estes representados ao fundo da tela: Tiradentes, Marechal Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant. Tiradentes, representado no seu derradeiro momento (de camisolão e com a forca ao lado); Marechal Deodoro da Fonseca, aparece num típico retrato oficial e Benjamin Constant, traja a farda que usou na Guerra do Paraguai.O esplendor e o fausto da época do império cedem espaço à simplicidade do ambiente da casa popular brasileira: da esteira de palha onde repousa o bebê às damas, filhas e esposa de Benjamin Constant que, sentadas ao chão, costuram a Bandeira, símbolo máximo da nação.

Isabel Sanson Portella
Abril de 2009
(Fragmentos do texto original desenvolvido pelo Museu da República)

Comentarista João Máximo grava em nosso Museu

João Máximo se prepara para gravar.
No finalzinho de outubro o comentarista João Máximo da ESPN gravou um pequeno vídeo em nossos jardins comentando sobre o jogador Domingos da Guia. Muitas equipes de filmagem escolhem nosso espaço externo para gravação, já que o parque de nosso museu é dos mais interessantes, bonitos e tranquilos para esta finalidade. Vejas as fotos!

Nossa diretora Elaine Carrilho e João Máximo.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

19 de novembro, dia da Bandeira

Para nós do Museu Casa de Benjamin Constant o Dia da Bandeira tem um significado especial. Tendo cuidado de sua criação com todo esmero e carinho, Benjamin Constant teve auxílio de suas próprias filhas e de sua esposa, Maria Joaquina, na confecção de sua ideia. Procurar o tecido, bordar as estrelas e o lema, caprichar no acabamento, tudo isso teve lugar no seio da família Constant. E hoje vai nossa singela homenagem a este símbolo tão querido: um trecho do Hino à Bandeira - com música de Francisco Braga e letra de Olavo Bilac interpretado no pistom por nosso colaborador, Edivaldo Coelho do Amaral:



Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

15 de Novembro, Proclamação da República no Brasil



Nosso patrono, Benjamin Constant, um dos principais personagens da Proclamação da República em nosso país devido à sua atuação tanto como militar quanto como professor - e divulgador do ideário republicano - nos leva a considerar esta data uma das mais importantes de nosso calendário. Hoje vamos conhecer um pouquinho sobre o Hino da Proclamação da República, um dos mais significativos símbolos da mudança de regime.

Inicialmente pensado como o novo Hino Nacional, já em janeiro de 1890 o governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca lançou um concurso visando a oficialização de um novo hino para o Brasil. A disputa foi vencida por José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque, que criou a letra, e por Leopoldo Miguez, que criou a música.

Medeiros e Albuquerque foi um grande entusiasta do ideal republicano e inclusive assumiu alguns cargos públicos e administrativos do novo governo. O maestro Leopoldo Miguez dedicou-se aos estudos musicais na Europa desde terna idade, tendo voltado ao Rio de Janeiro em 1878, já como um grande defensor do regime republicano. Após 1889 foi nomeado diretor e professor do Instituto Nacional de Música.

Mesmo ganhando a disputa, este hino acabou não sendo utilizado como o novo hino do país por decisão do Marechal Deodoro, que decidiu que a criação fosse empregada como sendo o Hino de Proclamação da República. A composição acabou por ser conservada como um dos mais significativos símbolos que representam a proclamação do regime republicano brasileiro.

Veja que bela letra:

Seja um pálio de luz desdobrado
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!


Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!


Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou este audaz pavilhão!
Mensageiros de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder
Mas da guerra nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!


Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Re-editando: Narrativas no Caramanchão



Exibida no período da 6ª Primavera de Museus em setembro, a exposição "Entre Dias - Narrativas no Caramanchão" está de volta a nosso museu em comemoração ao mês da Proclamação da República. A intervenção de Renata Casimiro destaca trechos do "Diário de Bernardina", filha de Benjamin Constant, em um novo "formato" - lúdico e delicado - e estará em exibição em nosso caramanchão, aberto a todo o público que vier nos visitar no período de 14 de novembro a 2 de dezembro, no horário de 8h às 17h.


Veja maiores detalhes em nosso post anterior sobre a mostra e não deixe de vir conferir de perto!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Museu Benjamin Constant no programa "Conhecendo Museus"

Numa iniciativa da TV Brasil, o programa televisivo "Conhecendo Museus" tenciona apresentar com detalhes os principais museus do Brasil. A ideia é a de divulgar bens e valores culturais da humanidade, presentes em nosso país, democratizando o conhecimento gerado por essas instituições, além de divertir e fomentar o surgimento de novos públicos. Tanto o resgate da memória brasileira, registrada nos objetos, obras de arte e documentos guardados pelas instituições, quanto colaborar no apuro da consciência crítica dos telespectadores, em particular os mais jovens, fazem parte dos objetivos do belo programa.

Nosso museu foi retratado em um dos episódios do programa. Gravado no início deste ano, traz de forma sucinta a figura de nosso patrono, Benjamin Constant, além de imagens e histórias de nossa casa. A casa, seus detalhes internos e externos, acervo de destaque, e também um pouco de nosso parque, foram apresentados por nossos colaboradores, historiadores e até por visitantes. Assista abaixo todo o programa e veja que belo exemplo de cultura divulgado pela TV aberta.


Nota: os episódios do "Conhecendo Museus" são exibidos para o grande público através da TV Brasil/EBC e da TV Escola/MEC.