quinta-feira, 21 de março de 2013

O Professor Benjamim Constant

Foto histórica: Benjamin Constant (na janela) com alguns dos alunos do "Imperial Instituto dos Meninos Cegos" no pátio da antiga sede, no centro do Rio.

Conforme já dissemos por aqui, Benjamin Constant nunca deixou dúvidas em relação à sua paixão pelo mundo acadêmico e pelo gosto pelas ciências exatas, com as quais teve contato desde cedo. E esta foi uma vertente de sua vida profissional das mais importantes, inclusive para a nossa história.

Tendo sido admitido na Escola Militar em 1852, ainda aos 15 anos, graduou-se engenheiro militar na Escola de Aplicação do Exército em 1858 e desde esta época, tentou por diversas vezes ser admitido como professor através de concursos públicos que prestava e era aprovado - muitas vezes como primeiro colocado - mas que não se concretizavam devido à prática do apadrinhamento, comum à época.

Em 1860, além de promovido a tenente do Estado Maior de 1ª Classe, diplomou-se bacharel em ciências físicas e matemáticas e, finalmente, dois anos depois, ingressa no magistério, nomeado professor de matemáticas elementares no Imperial Instituto dos Meninos Cegos por seu futuro sogro, Claudio Manoel da Costa. Em 1863 finalmente consegue ingressar por concurso como professor de matemáticas no Instituto Comercial.

Claudio Manoel da Costa: diretor do "Imperial Instituto dos Meninos Cegos" e sogro de Benjamin Constant.

A passagem pelo Imperial Instituto dos Meninos Cegos foi fundamental tanto para a instituição, quanto para o professor: Benjamin adaptou o ensino de álgebra elementar para cegos, publicado no Sistema Braille, o que trouxe avanços significativos para os estudantes, e este é apenas um dos motivos pelos quais, mais tarde, o Instituto teve seu nome alterado para homenagear o militar professor. Foi lá também que Benjamin conheceu Maria Joaquina, e com ela se casa em 1863.

A carreira como docente é interrompida em 1866, quando é convocado para a Guerra do Paraguai. Período sofrido e sombrio do mestre que fica registrado em diversas cartas que ele envia à sua esposa, a seu sogro e a alguns amigos. Retorna no ano seguinte, sofrendo de Malária - que contraiu nos charcos paraguaios onde guerreou - e se afasta durante um período de todas as suas atividades para tratar-se.

Mas, em 1869, é chamado para não apenas lecionar novamente no Instituto dos Meninos Cegos, como também para dirigí-lo, por ocasião da aposentadoria de Claudio Manoel da Costa. Ocupou tal cargo por mais de 20 anos com sucesso, até o encerramento de sua vida no magistério, tendo inclusive aprovado o projeto de um novo prédio para o Instituto, no bairro carioca da Urca, onde permanece até hoje. Em 1880, Benjamin ainda foi nomeado professor e diretor da Escola Normal da Corte e lente catedrático da Escola Superior de Guerra em março de 1889, ano em que se aposenta.

Recepção a oficiais chilenos na Escola Militar localizada na Urca. Benjamin Constant aparece no meio de alunos e professores apontado com uma seta (círculo tracejado)

É importante destacar que a vida de Benjamin no magistério foi um fator decisivo em sua atuação quando dos eventos que antecederam à proclamação de nossa república, visto que, por ser um professor dedicado e querido por muitos alunos, era uma voz ativa e influente sobre um grande número de jovens que clamavam pela renovação do governo no país.

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