quinta-feira, 28 de novembro de 2013

"Amor," - segunda parte

Marcos Felipe de Brum Lopes

Darcy Ribeiro, quando senador, apresentou projeto de lei alterando o lema da bandeira.

(leia o post anterior)

Talvez você não saiba, mas algumas pessoas já propuseram a discussão sobre o lema da bandeira do Brasil e a inclusão do “amor” para fazer companhia ao “ordem e progresso”. Outras discordaram. O que você acha?

A frase original, cunhada pelo filósofo positivista francês Augusto Comte, era “o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”. Quando a bandeira do Brasil república foi escolhida, entraram a ordem e o progresso, mas o amor ficou de fora. Vamos ver que figuras públicas participaram desse processo e quais se pronunciaram sobre o tema.

Século XIX
  • Raymundo Teixeira Mendes (1855-1927): matemático e positivista, coordenou a criação da bandeira do Brasil após a proclamação da República, ao mesmo tempo modificando e aproveitando a bandeira do império, que por sua vez havia foi feita a partir do desenho do pintor francês Jean-Baptiste Debret.

  • Décio Villares (1851-1931): pintor brasileiro do século XIX que pintou a bandeira do Brasil, sob os auspícios de Raymundo Teixeira Mendes. Aproximou-se do positivismo quando da sua estada na França e foi autor, entre outras obras, de retratos da família de Benjamin Constant (o Fundador da República) e do monumento ao positivista Júlio de Castilhos, em Porto Alegre.

  • Benjamin Constant (1837-1891): militar, matemático e professor, Benjamin Constant se aproximou do positivismo pelos seus estudos de matemática e participou da mudança do regime político do império para a república. Aprovou e apoiou junto a Deodoro da Fonseca a escolha da bandeira idealizada por Teixeira Mendes. Por sua influência junto à juventude militar no pré-1889 e sua atuação no Governo Provisório, recebeu postumamente o título de Fundador da República.
O cantor e compositor Jards Macalé é outra personalidade que está engajada na inclusão da palavra "Amor" no lema da bandeira brasileira.


Séculos XX e XXI
  • Darcy Ribeiro (1922-1997): antropólogo e político brasileiro, defendia a inclusão do amor na bandeira. Sobre a frase “ordem e progresso”, disse Darcy Ribeiro: “[Comte] nunca disse algo tão rude. Falava de ‘amor, ordem e progresso’, frase que eu proponho ser inscrita em nossa bandeira”. Para isso, combinou com José Sarney, então Presidente do Senado, a elaboração de emenda à constituição. Além da mudança do dístico da bandeira, Darcy Ribeiro planejou outra mudança: reduzir o nome do país apenas para Brasil, abandonando a designação República Federativa do Brasil. (RIBEIRO, Darcy. Confissões. São Paulo: Cia. das Letras, 1997, p.497)

Veja seu projeto de lei aqui:
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.615884341791731.1073741831.605068736206625&type=1

  • Jards Macalé (1943-): músico que defende a inclusão do amor na bandeira nacional. Segundo ele próprio, numa entrevisto ao Cultura.rj: “É uma questão de verdade histórica. O (Auguste) Comte não escreveu: “Amor por princípio, ordem por base e progresso por fim”(?) Então porque cortaram o amor? Eu quero saber o porquê. Acho isso um absurdo. Eu quero colocar o amor na bandeira brasileira, essa é a minha missão. Não por uma questão de ponto de vista, mas poética. Uma questão político-poética. O amor é a maior arma política que existe”.

  • Carlito Maia (1924-2002): publicitário que defendeu o amor na bandeira do Brasil, teria escrito (segundo Eduardo Suplicy): “'Amor como base, a Ordem como meio e o Progresso como fim', tripé em que se apoiou o filosofo francês Augusto Comte (1798 – 1857) para sistematizar a filosofia do positivismo, abraçada pelos generais anti-monarquistas, desaguando na República dos Bananas (15/11/1889). Mas na hora do dístico do novo pavilhão nacional, a confa: queriam o tripé de Comte, sim, mas implicaram com o ‘Amor’ (‘parece coisa de viado’, teria dito um), daí só Ordem e Progresso. Se fossem Acordem e Progresso, até que eu topava, mas, não, e deu no que deu. Amputaram a perna do ‘Amor’ no tripé, sempre caindo pelas tabelas, claro, tripé com duas pernas não se mantém em pé. Venho lutando, faz tempo, com o precioso apoio de Otto Lara, para que o ‘Amor’ esteja não só no lema como no coração dos governantes (os que o têm). Acho, porém, que uma bandeira sem vermelho não tá com nada: que tal um coração bem vermelhão na parte superior do globo azul do auriverde pendão? Como homem de comunicação, estou certo de que renderia boas manchetes na imprensa mundial. ‘Brasil tem amor na bandeira!’ O Brasil da gente se amando adoidado, a luz no fundo do túnel – uma glória. Então, vocês aí do Congresso? Amor, Ordem e Progresso! Salve o Amor! Viva o Brasil!

O Senador Eduardo Suplicy foi o último a apresentar projeto de lei alterando a bandeira.
  •  Chico Alencar (1949-): político brasileiro, autor do Projeto de Lei nº 2.179, que altera a Lei nº 5.700 de 1971 com o objetivo de incluir a palavra amor na bandeira nacional. Para justificar sua proposta, Alencar afirma que: “Tal redução fez perder a essência do lema original, que procura resumir o positivismo como a religião do amor, a religião da ordem ou a religião do progresso. Em outras palavras: o amor procura a ordem e leva ao progresso; a ordem consolida o amor e dirige o progresso; o progresso desenvolve a ordem e conduz ao amor. A presente proposição pretende resgatar a essência do lema original do Positivismo nos dizeres da Bandeira Nacional (...)”.
Fonte: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=054E29D0F3C82D1845BCE609A395D69E.node1?codteor=173893&filename=Avulso+-PL+2179/2003)

  • Eduardo Suplicy (1941-): economista e político, defende a inclusão do amor na bandeira nacional: “Ordem e Progresso é o lema nacional da República Federativa do Brasil a partir do momento de sua formação. A expressão é utilizada como dístico da Bandeira Nacional do Brasil, que fora idealizada por Raimundo Teixeira Mendes e pintada, pela primeira vez, pelo artista Décio Villares. Contudo, os autores não foram felizes ao retirar do lema a sua palavra mais importante, que seria “amor”. Isso apequenou a Bandeira Nacional, de modo que nós a consideramos, de certa forma, incompleta.” 
Fonte: http://www.senado.gov.br/atividade/plenario/sessao/disc/getTexto.asp?s=244.2.54.O&disc=13/3/S
  • Pedro Taques (1968-): advogado e senador, posicionou-se contrário ao pleito de Chico Alencar e Eduardo Suplicy para incluir o amor na bandeira: “A República Federativa do Brasil não precisa do amor na Constituição. Precisa escrever na bandeira, quem sabe, mais honestidade, mais decência, mais trabalho, mais organização. Esse lema do Positivismo, do final e meados do século XIX, é histórico, mas não é científico, como nós todos sabemos. Agora, respeitando o Deputado que apresentou esse projeto, um congresso nacional e um país que precisam colocar na sua bandeira a expressão “amor”, o termo “amor”, o símbolo, o signo “amor”, isso pode ser motivo de piada no mundo todo. Eu quero expressar a V. Exª o meu respeito. Agora, a República Federativa do Brasil precisa de mais trabalho, mais decência. Nós todos temos que amar o próximo como a nós mesmos. Nós todos sabemos disso. Agora, nós temos muito mais o que fazer nesta Pátria do que projetos dessa qualidade”.

  • Cristovam Buarque (1944-): engenheiro, economista, educador e político, não apoiou o apelo de Eduardo Suplicy e Chico Alencar, defendendo a inclusão da frase “educação é progresso” na bandeira do Brasil, caso a ela fosse modificada: “de qualquer maneira, se fôssemos fazer uma bandeira para o povo brasileiro, seria preciso tirar tudo o que está escrito, porque dez milhões não sabem ler, ou seja, não conhecem a sua bandeira. Se misturarmos as letras Ordem e Progresso ou, se botar em qualquer outro idioma, eles vão achar que é a mesma bandeira. Os republicanos passaram quatro dias depois do dia 15 de novembro para saber onde é que estavam as estrelinhas no céu naquela noite. É por isso que ela tem aquela arrumação. E não perceberam que, naquela época, 75% dos brasileiros não sabiam ler. Portanto, não iam conhecer a sua bandeira. A maior prova de elitização que temos é a dos primeiros republicanos, positivistas, que escreveram o texto para um povo analfabeto, e, 123 anos depois, continuamos não só com o analfabetismo, mas com duas vezes mais analfabetos do que naquela época. Diminuiu a percentagem de 65% para 10%, mas o número cresceu. Então, vamos fazer uma bandeira que ajude o brasileiro a compreendê-la, sem nada escrito ou, alfabetizamos todos os brasileiros para escrever Ordem e Progresso, Amor ou o que seja. De qualquer maneira é um problema geométrico: é que não cabe mais uma palavra no pequeno espaço que nós temos”.

Bota amor nessa bandeira: movimento de base filosófica, moral e religiosa (inclinação ecumênica) pela inclusão do amor na bandeira do Brasil, criado por Bruno Silveira (advogado), Deodato Rivera (filósofo e cientista político) e Melina Ollandezos (professora e artista plástica).
http://www.botaamornessabandeira.com.br

Inclua amor na bandeira: movimento na internet pela inclusão do amor na bandeira, com abaixo-assinado.
http://incluaamornabandeira.org
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E você? Já votou na nossa enquete?


O amor deve estar na bandeira?
Sim
Não


terça-feira, 26 de novembro de 2013

"Amor," - a intervenção artística


Sob a curadoria de Isabel Portella - museóloga e responsável pela Galeria do Lago do Museu da República, foi inaugurada no último dia 17 de novembro em nosso museu a intervenção artística "Amor,", lembrando da palavra do lema positivista "o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”, de onde foi retirado o dístico de nossa bandeira, "Ordem e Progresso". A motivo da exclusão da palavra "amor" de um de nossos mais importantes símbolos enquanto nação é fato discutido por historiadores até hoje, conforme explicamos em nosso post anterior. Mas a ideia da mostra não é a de questionar politicamente o fato e sim, sob um ponto de vista cultural e artístico, refletirmos sobre o que o amor pode suscitar, desde sua simples presença numa frase histórica até... o nosso dia a dia.

Giselda Santos, Xico Chaves e Mario Chagas comemoram as "bandeiras do amor", hasteadas.

Com uma abordagem bastante ampla e com propostas contemporâneas, 21 artistas plásticos aceitaram o convite e o desafio de criar alguma intervenção num espaço onde praticamente nada pode ser alterado - um museu dentro de uma casa histórica tombada pelo patrimônio histórico - e trouxeram da performance ao objeto, da instalação ao vídeo, obras questionadoras, reflexivas, diferentes, instigantes para nosso espaço. Nas imagens você vê algumas delas, mas nada como visitar o espaço e sentir o impacto do contraste entre o novo, o inusitado e o inesperado com ambientes do século XIX.

Questionar e levitar: obras de Elisa Castro e Lilian Soares.


Na inauguração foi possível constatar a veia questionadora de muitos destes criadores e de algumas de nossas melhores "cabeças pensantes" sobre o polêmico assunto, que já foi apresentado por diversas vezes como projeto de lei em nosso Congresso Nacional. Numa das performances que ocorreram, Mario Chagas - museólogo e assessor do Museu da República, além de poeta e Professor da UNI-RIO - Xico Chaves - artista plástico - e Giselda Santos, esposa de Jards Macalé - músico e entusiasta da modificação do texto da bandeira para que inclua "amor" - ergueram simbolicamente uma bandeira onde constava a palavra "amor", além de um lenço com a palavra escrita em batom vermelho - numa alusão a uma ardorosa paixão - ao som de uma cantoria bastante "cívica", numa elegia ao amor à pátria e ao belo símbolo verde, amarelo, azul e branco. Seria uma ilusão? Algo de menor importância? Ou precisamos real e oficialmente AMAR nosso país de todas as formas? É assunto para se pensar...

AMOR em todos os detalhes: obra de Alberto Saraiva

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E você pode dar sua opinião! VOTE NA ENQUETE e responda à pergunta:


O amor deve estar na bandeira?
Sim
Não



Notas importantes:
1 - O cantor e compositor Jards Macalé não pôde estar presente à performance em nosso parque pois estava em outro estado cumprindo compromissos profissionais. O que não o impediu de cantar o hino à bandeira pelo celular!

2 - No próximo dia 15 de dezembro, domingo, às 14h, haverá mais duas performances na mostra/intervenção. Venha ver de perto!

Serviço:
"Amor," - Intervenção Artística no Museu Casa de Benjamin Constant
Rua Monte Alegre, 255
Santa Teresa - Rio de Janeiro - RJ
Tels.: (21) 3970-1168 - (21) 3970-1177
Até 22 de dezembro de 2013
De quarta a sexta das 10h às 17h
Sábados, domingos e feriados das 13h às 17h
Estacionamento no local

terça-feira, 19 de novembro de 2013

"Amor," - primeira parte




Adaptação de texto do historiador Marcos Felipe de Brum Lopes 

O lema "Ordem e Progresso" é bastante conhecido do povo brasileiro pois figura na bandeira nacional. A maioria de nós, porém, desconhece que havia uma terceira palavra, companheira daquelas duas, na sentença original, positivista : “o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”, era o lema original que fazia parte dos pensamentos filosóficos do francês Augusto Comte, sintetizador da doutrina positivista, também chamada por seus adeptos de "Religião da Humanidade". Não é fácil a compreensão do significado dessa ideia dentro do pensamento positivista, pois remete à interpretação das fases evolutivas necessárias ao caminhar humano e também ao significado dos números na ciência suprema, a matemática.

Especificamente no caso da bandeira brasileira, a presença do dístico positivista – retirada a palavra "Amor" – aponta para o papel fundamental dos positivistas na virada do império para a república, sobretudo para a atuação de Benjamin Constant, matemático, educador e componente do Governo Provisório, e um dos propagadores da doutrina de Comte em nosso país.


O quadro "A Pátria", de Pedro Bruno, é uma alegoria à confecção da bandeira nacional.
Em face das diversas discussões à época da Proclamação da República, sobre como deveria ser a bandeira da nova nação, coube a Décio Villares renovar o velho símbolo imperial, dando a ele uma face nova, sem eliminar toda a sua carga simbólica. O pintor, positivista que era e já tendo pintado vários quadros da família de Benjamin Constant, recebeu instruções de Teixeira Mendes, principal liderança do Apostolado Positivista. Esta organização, na tarde do dia 15 de novembro de 1889, redigiu uma mensagem ao governo revolucionário, com a proposta de que “o governo provisório adotasse a divisa 'Ordem e Progresso', conforme as indicações de Augusto Comte”. Também Benjamin Constant teria afirmado em um encontro com o Apostolado que “a República não podia encontrar melhores luzes do que na Religião que se resume na fórmula: 'o amor por princípio, e a ordem por base; o progresso por fim' ”. Nada ficou registrado porém, sobre a ausência do "Amor" na configuração final da bandeira.

Mas diversas foram as reações contrárias à bandeira. O peso do positivismo, tácito na s palavras "Ordem e Progresso", era a razão da resistência de muitos. Até mesmo o Bispo do Rio de Janeiro teria se recusado a abençoar a bandeira pois, segundo ele, representava uma seita contrária ao catolicismo. Mas, a pergunta segue: por que teriam excluído o amor da tríplice equação positivista? Segundo Teixeira Mendes, entre outras várias coisas, para Comte, “o progresso é o desenvolvimento da ordem, como a ordem é a consolidação do progresso”. Além disso, o princípio seria o amor, e é possível se aproximar amor de fraternidade, palavra apreciada por todos os que se identificavam com a filosofia e a história da França.


Teixeira Mendes, um dos principais envolvidos na criação da bandeira da república nascente.

Diante do peso do amor fraterno na filosofia positivista, seria de se estranhar a ausência do amor na bandeira, já que os argumentos usados por Teixeira Mendes para justificá-la recorrem mais de uma vez às idéias de fraternidade e senso de coletividade em busca de um progresso ordeiro. Curiosamente, nem Mendes nem os outros compiladores da vida de Benjamin Constant, ou da doutrina positivista, explicam a razão da ausência do amor na bandeira, já que os argumentos que usam para defender o positivismo estejam notoriamente vinculados à ideia de fraternidade. No pensar de Teixeira Mendes, o lema comteano era regenerador e um resumo da política moderna.

Talvez o motivo de exclusão da palavra "Amor" (equivalente, na doutrina Positivista ao "viver para outrem"), tenha sido a vinculação que Comte estabeleceu entre a divisa e a participação feminina nas manifestações públicas. Segundo ele, a bandeira para serviços religiosos deveria apresentar a frase “o amor pro princípio, a ordem por base e o progresso por fim”, acompanhada da figura da humanidade (uma mulher de 30 anos com uma criança nos braços) e pintada em tela. A bandeira política, por sua vez, deveria ser verde, “comum a todo o ocidente. (...) A divisa principal do positivismo será, nesse caso, dividido em dois, mas igualmente significativos. Um lado da bandeira terá a divisa política e científica, Ordem e Progresso; o outro, a divisa moral e estática, Viver para Outrem. O primeiro será preferido pelos homens, o outro é especialmente adaptado às mulheres, que são então chamadas a participar nessas manifestações públicas de sentimento social”.
 
Sempre que Teixeira Mendes veio a público para defender a bandeira, afirmando que havia seguido às instruções do mestre Augusto Comte, não assume que obedeceu somente em parte o layout proposto pelo filósofo francês. Tiveram os positivistas receio de gerar discussões sobre a participação política das mulheres?


Obra da artista plástica Claudia Hersz, pertencente à Intervenção Artística "Amor,",
que acontece agoraem nosso museu casa. Veja como o "Amor", pode ficar bem
"no centro" da questão...
Se for o caso, vemos que as leis positivistas eram sagradas para o Apostolado, mas até certo ponto. A infalibilidade de Comte e sua síntese filosófica definitiva poderiam sofrer limitações no atos políticos, segundo contextos específicos. Entretanto, esse motivo aparente para a exclusão do amor – sua vinculação à participação política feminina – merece análise mais cuidadosa.

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Fizemos aqui uma resumida adaptação do texto de nosso historiador, Marcos Lopes - que você pode ler por inteiro no Facebook, clicando aqui. A partir de diversas considerações históricas sobre a supressão da palavra "Amor" do lema da bandeira nacional, a intenção é a de iniciar uma reflexão sobre se tal palavra deve ou não ser re-introduzida em nossa bandeira.

Nossa pretensão - e do Museu da República, que divide conosco a proposta de discutir o assunto - é a de apenas e tão somente "mexer", "instigar" as mentes mais abertas para o assunto, numa perspectiva cultural e histórica, sem qualquer caráter político.

Para tanto, além da exposição "Amor," que foi inaugurada no último domingo, dia 17, em nosso museu, é acompanhada da página de mesmo nome no Facebook, de modo a provocar a discussão e a manifestação dos interessados no tema, até o próximo dia 22 de dezembro. Todo este movimento estará acompanhado de uma enquete virtual, de modo que todos se manifestem, opinando se são a favor ou contra a inclusão da palavra "Amor" no lema da bandeira nacional.Assim que tal enquete for ao ar, avisaremos aqui.

Nossa esperança é a de renovar e de jogar luzes sobre um tema que já foi reconhecido e levado ao Congresso Nacional mais de uma vez, padecendo no entanto, da continuidade da discussão por parte de nossos representantes.

Continua...

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Os Consolidadores da República do 15 de novembro

Marcos Felipe de Brum Lopes

15 de novembro de 2013: mais um aniversário da República do Brasil. Para lembrar e discutir o tema, pinçamos uma fotografia interessantíssima de nosso arquivo histórico. Foi feita pelo "estúdio Elias Phot.", no Rio de Janeiro, e mostra uma série de pequenos retratos de homens sérios, cujos bustos foram diagramados em pequenos losangos.

As frases inscritas na montagem são “13 de março de 1894”, “9 de fevereiro de 1894” e “Consolidadores da República”. São registrados ainda os nomes das cidades de Bagé, Lapa, Rio Grande e Niterói (com a grafia antiga “Nictheroy”). O que significa tudo isso?

Poucos sabem, mas no imaginário republicano e no panteão de seus heróis há mais do que Deodoro, Floriano ou Benjamin Constant. Há 124 anos, mudava-se o regime político brasileiro: caía o império, seguia a família imperial em exílio para a Europa, e proclamava-se a República.

Os primeiros anos republicanos foram conturbados e o regime passou longe da unanimidade. Descontentamentos e revoltas de vários tipos pipocaram pelo país. A mais famosa delas foi a de Canudos, entre 1896 e 1897. Mas antes dela houve a Revolução Federalista, no Sul do Brasil, durante o mandato do autoritário Floriano Peixoto.

O movimento seria uma revolução para aqueles que dele participavam, já que se opunham ao presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Julio de Castilhos e ao presidente da República, Floriano Peixoto. Pregavam uma República Federalista e buscavam também a autonomia do Sul, em face da centralização de poder no Rio de Janeiro que marcou essa fase da administração republicana. Já para os partidários da República tal como ela se apresentava, o movimento seria uma revolta a ser combatida.

Sangrento e brutal, o conflito entre as tropas federalistas (os "Maragatos") e os legalistas ("Chimangos" ou "Pica-Paus") só terminou de fato em 1895, mas as forças dos federalistas já estavam enfraquecidas desde março de 1894. E aqui retornamos à nossa foto.

A mais notória batalha desta "revolução", foi chamada de o "Cerco da Lapa": uma resistência legalista ao avanço dos federalistas, que veio a tirar a vida do General Gomes Carneiro. O Cerco da Lapa foi vencido pelos federalistas, mas representou um grande atraso em seu avanço e, por isso, a possibilidade de organização das tropas legalistas para os próximos confrontos. Bagé também testemunhou muito sangue derramado. Rio Grande representa a permanência daquele Estado na República brasileira e, portanto, a manutenção da unidade nacional. As datas incluídas na montagem da foto demarcam a morte do General Gomes Carneiro, em 9 de fevereiro de 1894 e a derrota do Almirante revoltoso Saldanha Gama pelo Almirante legalista Jerônimo Gonçalves, em 13 de março de 1894.

Como um louvor claro àqueles que lutaram pela República de Floriano Peixoto e a tudo o que ela representava, a foto sugere que os legalistas estavam consolidando o projeto do 15 de novembro, do qual Deodoro foi o Proclamador e Benjamin Constant, o Fundador. O projeto sulista de uma República descentralizada foi frustrado pelas tropas do governo e, em 1894, o Brasil ganhava seus Consolidadores da República, uma tentativa de projetar heróis sobre os problemas que o novo regime não conseguia, de fato, solucionar. Nos anos seguintes, outras revoltas surgiriam, trazendo à luz do dia as incongruências e contradições de um país que continuava elitista e excludente.

E quem são os 36 Consolidadores da República? Veja:
Da esquerda para a direita:
  • General Ernesto Gomes Carneiro
  • General Silva Telles
  • Coronel C. Telles
  • Coronel Pedro Neves
  • Coronel Vespasiano
  • General Bacelar
  • General E. Quadros
  • Senador Pinheiro Machado
  • General F. Ramos
  • General Costallat
  • Almirante Jerônimo Gonçalves
  • Marechal Floriano Peixoto
  • General Moura
  • General Roberto Ferreira
  • General Arthur Oscar
  • General Rodrigues Lima
  • General Jardim
  • General Leite de Castro
  • Dr. Porciúncula
  • Dr. Julio de Castilhos
  • Quintino Bocaiúva
  • Dr. Bernardino de Campos
  • Dr. Victorino Monteiro
  • General Santo Dias
  • General Gomes Pimentel
  • Marechal Enéas Galvão
  • General Argollo
  • General Sebastião Ewerton
  • General Bernardo Vasques
  • General Delgado
  • Coronel Braz Abrantes
  • General Cantuária
  • Coronel Marciano Botelho de Magalhães
  • Coronel Sampaio
  • General Ilha Moreira
  • Coronel Marinho. 
Clique para ver maior.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Piquenique da Rede Ecológica em nosso parque

Participantes da Rede Ecológica registram seu encontro em nosso parque.

Tivemos o prazer de ter nosso parque escolhido como o local de comemoração do aniversário de 12 anos da Rede Ecológica. O evento, que foi realizado no último dia 27, contou com rodas de conversa e troca de conhecimentos, além dos "comes e bebes" característicos, tudo muito natural, como deve ser.

A Rede Ecológica é um movimento social "que visa a fomentar o consumo ético, solidário e ecológico. É constituída de grupos de consumidores que realizam compras coletivas diretamente de pequenos produtores agroecologicos/orgânicos, o que viabiliza a compra desses produtos a preços acessíveis e, ao mesmo tempo, apoia as iniciativas desses produtores.

Na área de nosso Canteiro Ecológico, bate papo sobre iniciativas sustentáveis na cidade.

A Rede nasceu no bairro da Urca, por iniciativa de alguns de seus moradores, e hoje tem dez núcleos espalhados pelo estado. Seis destes estão localizados aqui mesmo na cidade, nos bairros de Botafogo, Humaitá, Santa Teresa, Urca, Vargem Grande e Vila Isabel. Além de compras coletivas de produtos muito naturais, diretamente de seus produtores, a organização desenvolve uma série de atividades relacionadas à ecologia e à sustentabilidade, tais como o reaproveitamento de embalagens, o agroturismo, a criação de grupos de trabalho e organizações envolvidas com as temáticas de segurança alimentar, agricultura urbana, agroecologia e economia solidária, ou seja: uma grande mobilização em torno do que a sociedade civil pode fazer para melhorar a sua qualidade de vida e a de outros grupos, menos engajados por diversas limitações.

A participação na Rede Ecológica é aberta a qualquer pessoa que se identifique com seus princípios - que são considerados basilares para que se participe da mesma, já que o funcionamento da Rede envolve, por exemplo, o engajamento em trabalhos internos e voluntários. E para fazer parte das compras coletivas da Rede é preciso se associar.

Uma mesa cheia de delícias totalmente naturais para comemorar os 12 anos da Rede Ecológica.

Durante a comemoração em forma de piquenique, os participantes conversaram sobre compostagem, minhocários e sobre uma nova campanha que estão iniciando chamada "Xô saco plástico", que pretende incentivar o uso de sacolas retornáveis, tanto nas compras realizadas dentro da Rede Ecológica, quanto em tantas outras situações onde as "vilãs" - por tantos motivos - as sacolinhas plásticas aparecem como solução de embalagem e transporte. Falaremos mais a respeito oportunamente.

Pelo que soubemos, foi um dia bastante agradável, produtivo e gostoso à sombra de nossas árvores. Que venham outros!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Comissão A3P - Ações já realizadas em nosso Museu - Parte II

Nosso novíssimo berçário de mudas: uma "atitude verde" já em prática.

Conforme explicamos neste post, cada "Comissão A3P" criada em cada um dos órgãos da Administração Pública Federal, é formada voluntariamente, sem imposições. Depois de publicada a agenda, nosso Museu - ou seja, nossos servidores - se interessaram pelo assunto e se engajaram na tarefa de tornar nosso dia a dia mais sustentável. Foram feitos levantamentos e discussões sobre o assunto, ao fim dos quais nossos servidores Henrique Florêncio e Mercia Freire se apresentaram como representante e suplente, respectivamente, da Comissão, em nossa unidade. Ambos já estavam engajados em programas ecológicos e sustentáveis fora do ambiente de trabalho e a junção entre a preocupação com o meio ambiente e suas atividades profissionais foi uma agradável coincidência.

Em pequeno evento no museu, pratos e copos em acrílico e xícaras
em louça: sustentabilidade até para nossos convidados. Clique para ver maior.

Um dos primeiros trabalhos feitos pelos servidores foi um relatório de diagnose da situação de nossa unidade, contando uma avaliação detalhada sobre como se tratavam os resíduos no museu. Tal relatório também apresentou propostas para a implantação da agenda da A3P em etapas, e logo em sua apresentação, demonstrou uma atitude ousada em relação à proposta do Ministério do Meio Ambiente. Observe o trecho abaixo:


"Nesse contexto o Museu Casa de Benjamin Constant, tem como objetivo promover e conscientizar sobre a questão ambiental e seus impactos na qualidade de vida no ambiente de trabalho e fora dele. O objetivo é assumir uma perspectiva abrangente, não restringindo seu olhar à proteção e uso sustentável de recursos naturais, mas incorporando fortemente a proposta de construção de sociedade sustentável, buscando uma perspectiva de ações que relacione o homem, a natureza, tomando como referência que os recursos naturais se esgotam e que o principal responsável pela sua degradação é o homem(...)",

A partir de tal relatório, foram estabelecidas as chamadas "Pequenas Atitudes para um Mundo Sustentável", já tendo sido implantadas com sucesso:

  • Uso do papel de impressão frente e verso
  • Redução do uso do papel
  • Redução do consumo de copos descartáveis
  • Redução de uso de papel toalha
  • Distribuição de mudas de plantas aos visitantes
  • Estímulo e convite a caminhadas no parque, por parte de colaboradores e visitantes
  • Implementação da Coleta Seletiva de lixo
  • Criação de uma composteira, sementeira e minhocário no parque do museu
  • Inclusão do tema ambiental, bem como do desenvolvimento sustentável nas Atividades Educativas
  • Uso de lâmpadas econômicas

Coleta seletiva: fundamental e já em prática em nosso museu.
Repare nas lixeiras: feitas com material daqui mesmo, de nosso parque!

Atualmente, em nosso museu, nos orgulhamos de aproveitar cada folha de papel, que não se torne um documento, como papel de rascunho, por exemplo, além de imprimirmos qualquer "teste" em frente e verso. Os copos descartáveis na verdade foram abolidos, tendo, cada servidor, uma caneca ou copo de seu uso particular. O papel toalha deixou de ser utilizado na copa, onde panos de prato de tecidos foram adotados. A distribuição de mudas de plantas é uma novidade recente, mas que agrada a todos que nos visitam. Já as caminhadas, já fazem parte de nossas atividades há longos anos.

A coleta seletiva foi implantada em nosso bairro, Santa Teresa, e nos orgulhamos de fazer parte da mesma, separando o chamado "lixo seco" (não orgânico) do "lixo molhado" (orgânico). Em nosso canteiro ecológico, a composteira, a sementeira e o minhocário já são uma realidade, reaproveitando os rejeitos de nosso parque na geração de novas mudas. O novo "Circuito Meio Ambiente", recém implantado - veja aqui - é a primeira de uma série de ações educativas que temos em mente. A internet como ferramenta de trabalho, evitando ao máximo o uso de papel, já é uma realidade e, em todo museu e na sede administrativa, todas as lâmpadas são econômicas.

Lâmpadas econômicas - fluorescentes compactas na coloração "branca
morna" - em todos os ambientes de nosso museu casa.
São muitos os avanços pois cada uma dessas pequeninas atitudes vão, mais que preservar um pedacinho de meio ambiente, ir moldando o pensamento da economia/redução, da reutilização, e da reciclagem, na mente de cada um de nossos colaboradores. Deste modo, não apenas aqui, em seu local de trabalho, as pessoas estarão conscientizadas de modo a executarem suas atividades e tarefas sob um ponto de vista mais ecológico, mas também em suas casas e em outros lugares que frequentem. Mais relevante que reutilizar uma folha de papel que foi incorretamente impressa, é a ideia de que ainda há um valor nesta única folha, que deve ser aproveitado. E que, assim como a folha, muito do que se descarta ao longo de toda a nossa vida, pode ter uma sobrevida muito útil: senão para nós mesmos, para outrem. E, desta forma, pretendemos, lenta e gradualmente, nos adequando a um viver mais sustentável.