quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O Plano Inclinado de Santa Teresa

Foto a partir da Rua Joaquim Murtinho na época do Plano Inclinado: vê-se bem o
último viaduto da engenhoca, bem defronte à chácara de Benjamin Constant.

Cartão postal da cidade do Rio de Janeiro, os bondinhos de Santa Teresa sempre despertaram a curiosidade de quem visita a cidade, sejam brasileiros ou oriundos de outros países. Excetuando-se os últimos anos em que o meio de transporte - e também de lazer - está parado (veja o porquê em nosso post anterior), a população de nossa cidade também sabe de sua existência e, pelo menos uma vez na vida, vem até o bairro para "andar de bondinho", inclusive trazendo crianças para conhecê-lo. Assim tem sido.

No entanto, podemos afirmar que pouquíssimos moradores daqui mesmo, do bairro de Santa Teresa, já ouviram falar do antigo "Plano Inclinado" que existiu entre a "Rua de Matacavalos" (antigo nome da Rua do Riachuelo), e o Largo do Guimarães, no centro da localidade. Quem visita nosso Museu Casa passa a saber que este "meio de transporte" também existiu, entre 1877 e 1894 (aproximadamente) , e que funcionava em paralelo aos bondes que chegavam ao bairro por outras ruas e ladeiras.


Observe a parede em pedra que fica em nosso platô inferior do jardim (em frente à Ladeira do Castro): por estes dois buracos passavam cabos do Plano Inclinado que funcionva em frente à então chácara de Benjamin Constant.


O equipamento também pertencia à "Empresa de Carris de Ferro de Santa Teresa", proprietária dos bondes que então serviam a todo o bairro. A diferença é o Plano Inclinado funcionava a vapor. Sim! Antes mesmo dos bondes a vapor e dos bondes elétricos, o meio de transporte que cortava a Ladeira do Castro já se utilizava de "tecnologia mais avançada" que estes últimos.


Inaugurado em 1877, partindo da estação da Rua do Riachuelo, o Plano Inclinado passava bem em frente da casa onde residia Benjamin Constant. Na verdade, a chácara era vizinha dos equipamentos a vapor que moviam o "bondinho" do equipamento - era a última residência que se beneficiava do transporte. Assim sendo, era comum que Benjamim o utilizasse para chegar e sair de sua casa, assim como quem o vinha visitar.


No terreno do museu ainda existem vestígios das fundações de pedra do último viaduto do plano inclinado, bem como na antiga oficina dos motores a vapor, que foi adaptada para atender às necessidades de reparo dos bondes elétricos, que começaram a circular no bairro em 1894. Nesta época, os Arcos da Lapa - que até então serviam de aqueduto para a água da fonte do Largo da Carioca - passaram a servir aos passageiros que se deslocavam entre o centro da cidade e o bairro de Santa Teresa, pois ligavam os morros deste bairro com o de Santo Antonio.

Foto de um dos atuais planos inclinados da cidade de Salvador - BA, nos mostra algumas
semelhanças com o que existia em Santa Teresa no século XIX.

Na melhor imagem que possuímos deste antigo equipamento - que faz parte de nosso arquivo documental - é possível visualizar o tamanho do último viaduto: era algo realmente de porte e, segundo relatos do pequeno Benjamin Fraenkel, neto de Benjamin Constant, "o bondinho devia ter uns sete ou oito bancos, com portinholas que eram fechadas, para garantia dos passageiros...(...) A linha era uma só até o ponto em que se bifurcava para dar passagem ao outro bondinho, que descia. Um subia, outro descia, em sentido contrario, amarrados por um cabo de aço que era guiado por uma grande roldana horizontal, no alto do morro, e por diversas roldanas verticais situadas entre os dormentes.(...)".

Há pouca documentação sobre o Plano Inclinado nos dias de hoje, mas ainda é possível recuperar grande parte do que ele foi no passado. Nossa intenção é a de pesquisar e a de possuir mais e mais dados a respeito, de modo a disseminar essa informação para todos.

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