segunda-feira, 28 de abril de 2014

Evento em nosso parque: Pic-Nic de Troca de Sementes e Mudas



Você gosta de plantas e flores, costuma cultivá-las e tem, em casa, diversos vasos, canteiros, jardineiras, entre outros espaços para ver estes lindos seres crescerem? Então você vai adorar o 1º Pic-Nic de Troca de Sementes e Mudas que vai ocorrer no próximo dia 4/05, domingo, a partir das 10 da manhã, em nosso parque. A ideia é do grupo paulista Árvores Vivas, que já realizou este evento 15 vezes em São Paulo - veja tudo neste blog - sendo um a cada mudança de estação, em um parque da capital paulista.

O evento se destina ao encontro das pessoas com a natureza das cidades e, longe de pregar simplesmente uma "fuga" de nosso ambiente do dia a dia - praticamente sem contato com a natureza - estimula que a levemos para nossas casas e apartamentos, e que convivamos, de acordo com a possibilidade de cada espaço, com o que há de verde nas cidades. A ideia é também a de troca de experiências no trato de plantas, de receitas de produtos mais naturais (orgânicos por exemplo), e de fazer novos amigos, é claro!

Foto do 9º Pic-Nic de Trocas de Saberes, Sementes e Mudas em São Paulo, organizado pelo Árvores Vivas.

Além do troca troca de sementes e mudas - e doação, se você tiver em quantidade - vai ter também uma feirinha de produtos orgânicos: frutas, legumes e verduras cultivados naturalmente, além de sucos e alimentos produzidos como manda a mãe natureza, trazidos pela Associação Agroecológica de Teresópolis.

A programação organizada por nosso museu prevê:
  • Visita mediada ao nosso canteiro ecológico, que possui berçário de mudas, horta, compostagem e horto;
  • Plantio de mudas;
  • Lanche coletivo para o qual solicitamos que os participantes contribuam com um alimento natural: frutas, salgados, sanduíches e sucos.

Que tal um lanche orgânico no lugar do almoço de domingo?

E nosso museu casa estará aberto especialmente pela manhã, a partir das 10h, com fechamento normal às 17h. Venha participar e conhecer um admirável mundo novo da natureza dentro da cidade!

Update 30/04: incluída na programação do museu uma Oficina Prática de Montagem de Minhocário e Composteira! Quem quiser participar e puder, guarde nesta semana e leve para o evento restos orgânicos, como cascas de frutas (evitem cítricos), de legumes e folhagens que sobrarem (evitem também coisas cozidas e temperadas). Assim teremos material para a oficina. Até lá!

Update 02/05: veja abaixo algumas dicas para quem vier ao evento.
1. Quem desejar pode trazer toalhas ou cangas para usar no parque. Teremos algumas mesas para apoiar os alimentos ofertados mas, pelo número de confirmações até o momento, será necessário que nos acomodemos pelo jardim;
 

2. A Associação Agroecológica de Teresópolis trará cestas orgânicas para venda, quem deseja aproveitar, pode trazer sua sacola. Eles oferecerão também suco verde, mudas e bate-papo para tirar dúvidas sobre hortas etc.

3.Quem vier de ônibus poderá pegar o 014 ou 006 na avenida Graça Aranha, no Centro. Há um ponto bem em frente ao museu: é o quarto ponto de ônibus da rua Monte Alegre;

4. Quem vier de carro deve seguir pela Rua do Riachuelo e virar à direita na Rua Monte Alegre. Pelo número de pessoas confirmadas, não será possível estacionar dentro do museu, já que o espaço de estacionamento será usado para o evento. Permitiremos a entrada e saída de veículos para descarga de material. A Rua Monte Alegre atualmente tem mão única até o museu e há vagas para estacionamento do lado esquerdo da via. Clique no link abaixo para ver mapa para chegar ao local: 


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Conhecendo Mario Baldi - parte 2

Leia o post anterior sobre o assunto

Continuando a primeira parte deste post, transcrevemos aqui a segunda parte do texto redigido por nosso servidor Marcos Lopes sobre seu trabalho de doutorado, onde focalizou a trajetória do fotógrafo austríco Mario Baldi em terras brasileiras. Vamos lá?

"O primeiro projeto fotográfico no Brasil e o vínculo de Baldi com o príncipe D. Pedro, filho da princesa Isabel, organizam algumas questões da tese, envolvidas com a busca de um lugar estável no campo de possibilidades fluido e sofrido como é o dos imigrantes. Cruzando narrativas com fotografias, faço um balanço da produção da primeira experiência de documentação de Baldi, nos anos 1920.


O jornal "A Noite" e a revista "A Noite Ilustrada": veículos brasileiros por onde circularam imagens de Baldi.


No trabalho tive a intenção de localizar a alteridade cultural em duas linguagens diferentes, a etnográfica e a fotojornalística. A ideia surgiu da atuação de Mario Baldi em projetos fotográficos e suas veiculações nas revistas ilustradas cariocas. A presença do fotógrafo entre os índios Bororo e os padres salesianos para produzir um filme sobre colonização dos religiosos (até hoje não localizado) gerou um conjunto de fotografias interessantes que ilustram os encontros culturais entre brancos e índios nos anos 1930.

Na medida em que Baldi apresenta as fotografias desse projeto ao mercado editorial brasileiro, destaco a publicação "A Noite Illustrada", suplemento do jornal "A Noite", que surge em 1930 e contrata Mario Baldi como fotógrafo. A revista A Noite Illustrada por si, somente poderia receber um estudo de caso, pois teve uma duração relativamente longa e é pouquíssimo citada na historiografia brasileira.


Centenária Índia da tribo Bororo clicada por Mario Baldi - circa 1935.

A segunda metade da tese é dedicada ao estudo de séries de fotografias representativas da diversidade cultural brasileira, levando-se em conta o agenciamento e circulação das imagens. O conceito chave nesta parte é o de imaginação geográfica, que considero ter estruturado não só os olhares e narrativas de Baldi, mas as tendências editoriais das revistas e as tradições visuais sobre o interior do Brasil. Nesses casos, são significativas as fotografias feitas para "A Noite" dos trabalhos do Serviço de Proteção ao Índio.

No final do texto fazemos uma viagem à Ilha do Bananal, em 1938, entre os índios Carajá. A ideia é analisar as imagens, sua circulação na imprensa e sua retomada ao longo dos anos 1940, quando são publicadas no livro de Mario Baldi. Com duas versões, uma brasileira ("Uoni-Uoni conta sua história", 1950) e outra alemã ("Uoni-Uoni oder die letzten Indianer am großen Wasser", 1952), o livro é um bom exemplo para entender o que Baldi pensava sobre a alteridade cultural e étnica no Brasil.

Como construção, cada ato fotográfico e cada pose contam uma história diferente. Não há fórmula ou rótulo fixo para uma fotografia. Se, por um lado, a câmera e a imagem técnica funcionam como uma extensão do olho do observador, uma prótese óptica que congela uma ideia, ela também testemunha reações, intervenções e ilustram – no sentido de esclarecer – as relações sociais das quais é o suporte.

A historiadora Ana Maria Mauad defende a ideia de que a história contemporânea pode ser contada em imagens, devido ao papel central que a fotografia desempenha na formação de uma memória compartilhada pelas sociedades. O que tentei alcançar no percurso deste trabalho foram os dois lados dessa relação: como as imagens feitas por Mario Baldi compuseram o repertório visual sobre a alteridade cultural no Brasil; e como o crescente uso da imagem técnica a fez passear pelos mais diversos suportes midiáticos, desde palestras ilustradas, revistas até a literatura, o que nos permite abordar, através de uma trajetória individual, a especificidade de uma experiência histórica."

terça-feira, 15 de abril de 2014

Conhecendo Mario Baldi - parte 1

Entre os índios Bororo de Mato Grosso. 1934-35. Coleção Mario Baldi, Weltmuseum Wien.
Criar uma tese de doutorado partindo do pouco ou quase nada que se sabe a respeito de um assunto não é um desafio dos mais fáceis. Mas existem pessoas que, pelo prazer do saber, se dedicam a elas com todo afinco. Conforme noticiamos no início deste mês, nosso historiador Marcos Lopes é um desses apaixonados pelo conhecimento que decicidiu pesquisar a trajetória do fotógrafo austríaco Mario Baldi para nos mostrar o quanto ainda desconhecemos nossas próprias raízes, nosso próprio povo. Pedimos a ele então que elaborasse um texto bem básico e bem simples sobre sua tese a respeito, para que divulgássemos ainda mais o conhecimento sobre Baldi. Marcos nos preparou um texto magnífico e bem detalhado sobre todo o assunto. Leia a primeira parte a seguir:

"A pesquisa sobre o fotógrafo e jornalista austríaco Mario Baldi, que viveu no Brasil a partir de 1921 até 1957, começou sem aviso prévio. Em 2006, quando buscava documentos para uma pesquisa encomendada sobre um bairro rural da cidade de Teresópolis, num pequeno arquivo público, me deparei com algumas fotografias de 1922 que representavam tropeiros de batatas, com suas mulas. Eram imagens feitas pelo austríaco e que, como soube em seguida, faziam parte de uma coleção de milhares de fotos pouco catalogadas e nunca antes estudadas.


Nosso historiador Marcos Lopes, acompanhado pelo fotógrafo Leonardo Wen, analisando fotos de Mario Baldi.


Mario Baldi, nascido na Áustria e falecido no Brasil, foi um fotógrafo esquecido após a morte e amplamente desconhecido até meados da década de 2000. Alguns fatores contribuíram para isso, como as circunstâncias da sua morte e a trajetória dos seus documentos, fotografias e negativos. Durante os anos de 1954 e 1956, Etta Becker-Donner, então diretora do Museu de Etnologia de Viena (atual Weltmuseum), visitou o Brasil a fim de fazer trabalhos de campo etnográficos, linguísticos e arqueológicos no território de Rondônia. Na ocasião, adquiriu de Mario Baldi 30 fotografias produzidas entre os índios Bororo, Carajá e Tapirapé e levou para Viena a primeira fração da produção do fotógrafo. Em 1959, dois anos depois o trágico falecimento do fotógrafo entre os Tapirapé, o museu vienense recebeu parte de sua herança. Ainda que as condições deste envio e recebimento não estejam completamente esclarecidas, há boas chances de o prévio encontro entre Becker-Donner e Baldi ter contribuído para o deslocamento de parte da coleção para a Áustria. A parte do material recebido por Viena era composto por 386 objetos etnográficos da tribo dos Carajá e o que parecia ser seu arquivo fotográfico: quatorze caixas contendo ampliações ordenadas tematicamente, folhas-contato organizadas em cartões, mais de dez mil negativos e uma quantidade pequena de diapositivos. Apesar das inscrições esporádicas no verso das ampliações, o acervo não dispunha de informações documentais escritas, o que fez com que fosse catalogado de maneira primária, ainda que o seu valor e interesse tenham reconhecidos a partir do conteúdo visual da coleção.


Indiozinho Carajá retratado próximo à câmera de Baldi.


Passados quase 30 anos e sem o conhecimento do museu vienense, no fim dos anos 1980 o Serviço do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (SPHAC) da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Teresópolis (cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro) recebeu, do escritor e médico Arthur Dalmasso (1920–2006), a outra parte da herança de Mario Baldi. A doação de Dalmasso incluía não só ampliações fotográficas e folhas-contato, mas também artigos ilustrados, cartas, diários e toda sorte de documentos próprios dos arquivos pessoais.

Nesta época, o SPHAC estava ainda começando suas atividades no campo da preservação dos acervos históricos da cidade de Teresópolis, cidade por onde Baldi circulou e residiu nos últimos anos da sua vida. O conjunto dos seus documentos foi o primeiro a compor um fundo arquivístico completo da instituição. A professora Regina Rebello, responsável pela recepção da doação e pela organização preliminar do material, observou que o acervo se tratava de uma preciosidade para a história local, pois continha relatos sobre a região serrana do Estado do Rio de Janeiro, especialmente sobre Teresópolis, feitas na década de 1920 por Baldi. Além disso, a diversidade cultural brasileira representada em milhares de fotografias de diversas regiões do país e um inédito diário da Primeira Guerra Mundial completavam o tesouro histórico e cultural que seria doravante preservado. Hoje sabemos que existem mais de 7.000 fotografias (entre contatos fotográficos e ampliações) na parte brasileira da coleção Mario Baldi.


Folha de Contato de Mario Baldi sobre os índios Carajá, datada de 1938, pertencente
ao Acervo Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Teresópolis.

A Tese de Doutorado em História Social que acabo de defender tem como título "Mario Baldi: fotografias e narrativas da alteridade na primeira metade do século XX". Minha intenção foi estudar como Baldi representou a alteridade cultural no Brasil, ou seja, como via, fotografava e narrava a existência de indivíduos que eram considerados “diferentes” e, mesmo assim, faziam – ou deveriam fazer – parte de um mesmo Brasil. Nesse sentido, selecionei as imagens e reportagens que tratavam dos índios brasileiros."

Continua...

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Uma pequena maravilha


O "pequeno grande quadro" de Decio Vilares: registro utilizado para montagem de nosso museu.

Posicionado estrategicamente em uma das paredes do hall de entrada em nosso museu, há um pequeno quadro que impressiona muito, e que se acaba se impondo inclusive a peças maiores. Trata-se de uma obra atribuída ao pintor Decio Vilares - que retratou alguns momentos da vida da família de Benjamin Constant - que mostra nosso patrono trabalhando em seu gabinete, com uma criança ao lado. Muito já se especulou sobre o trabalho mas algumas ideias são recorrentes, tais como:
  • A criança na imagem é um dos filhos de Benjamin quando criança, provavelmente sua filha mais velha, Aldina.
  • O gabinete de trabalho do quadro é, provavelmente, a sala de trabalho do Professor Benjamin Constant no antigo Instituto dos Meninos Cegos, localizado no antigo "Campo da Aclamação", hoje o conhecido Campo de Santana, no Centro do Rio de Janeiro.
Mas o mais curioso, para quem vem nos visitar e presta muita atenção à tudo, é o fato de que, o último escritório pensado para ocupação por parte de Constant, dentro do museu casa, é praticamente igual ao que está representado na pequena obra. Como se explica isso?

Na verdade, de posse de parte dos pertences de Constant e com sinal verde para montar o museu, a museóloga Hercília Vianna copiou fielmente a ambiência da figura, tendo providenciado inclusive peças de interiores que não eram as originais da casa, mas que simularam perfeitamente o espaço como fora originalmente. Nota-se os pequenos quadrinhos, as luminárias, a mesa, os armários (estes últimos, originais), entre outros detalhes.

Por este motivo, em sua próxima visita a nosso museu, não deixe de observar com atenção o pequeno quadrinho à direta, logo na entrada do Hall: nele você vê "o quê" e "o quando". E, olhando à esquerda, para o "escritório" da casa, você perceberá o quão belo é o trabalho de ambientar um espaço histórico, recriando-o como na época em que esteve em uso por parte da figura que viveu em tal lugar.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Nosso "Doutor Verde"

Olá, estamos de volta de nosso recesso!

Nosso novo Doutor, Marcos Felipe de Brum Lopes.

E de volta com uma novidade das melhores: o historiador de nosso museu, Marcos Felipe de Brum Lopes, acaba de receber seu título de Doutorado em História! A tese foi defendida na Universidade Federal Fluminense - UFF - e foi centrada no trabalho do fotógrafo Mario Baldi, nascido em 1896 em Salzburg, na Áustria, que trabalhou no Brasil nos anos de 1921 a 1928 e de 1934 a 1957. Em seu trabalho, Baldi focou nossos índios e seus registros fotográficos são dos mais importantes para a história brasileira e de seus habitantes originais.

Marcos Lopes entre o Secretário de Cultura de Teresópolis, Wanderley Peres, e o diretor
do Museu de Etnologia de Viena, Christian Feest, avaliando o acervo de Mario Baldi
na cidade. Foto: O Diário

Mas, voltando ao Marcos, podemos caprichar nos predicados sem medo de errar: servidor dos melhores, pessoa humana das mais sensíveis e colega sempre presente, Marcos merece todo nosso carinho, respeito e admiração pelo feito pois, em paralelo a seus estudos também realiza pesquisas sobre nosso museu - em particular a que apresentamos aqui - apoia outros pesquisadores que nos procuram em sua busca pelo conhecimento, é o responsável pelo Arquivo Histórico e Bibliográfico de nosso museu, e estuda línguas como forma de complementar um currículo que já é dos mais bem formados. Isso tudo sem falar pelo seu gosto pela natureza e por sua preservação, o que nos levou a criar o "título" de "Doutor Verde" para ele, nesta ocasião. Sempre próximo a ela - nasceu e foi criado junto ao cultivo de produtos agrícolas - valoriza a agricultura orgânica e a agroecologia como práticas que aprendeu desde menino com seu pai e seu avô. E aqui mesmo, em nosso museu, é um entusiasta responsável por diversas ideias e novidades em nossos recantos verdes: canteiro ecológico, parque e trilhas.


Marcos Felipe e sua banca examinadora: sucesso afinal!
Esperamos que Marcos alcance todo o sucesso possível em seus trabalhos, pois ele merece. E, para completar o ano, além de ter apresentado sua tese com muito reconhecimento, vai ganhar um outro presente e outra grande responsabilidade: será papai em meados do ano - uma vida nova com felicidades e desafios que, sabemos, ele saberá viver!