quarta-feira, 22 de junho de 2016

Retratos: registros históricos das pessoas

O registro de BC jovem, ao ir para a Guerra do Paraguai, cuja face foi reproduzida
e guardada com amor por sua esposa em um broche, mesmo após seu falecimento.


Quando uma pessoa 'sai da vida e entra para a história" - frase célebre esta, hein? - os retratos são uma das principais formas de nos lembrarmos delas. Não apenas sua fisionomia, mas também seu jeito de ser, de olhar, de fazer, de agir e de viver, enfim. Um todo como a conhecemos. Com Benjamin Constant não foi diferente, claro. E quem o conheceu teve a sorte de guardá-lo na memória e também através de alguns poucos registros fotográficos já presentes em seu período de vida, ainda que em processos muito experimentais - como já falamos aqui - ou ainda de alto valor.

O broche de Maria Joaquina repassado a sua filha Alcida.

Na peça que foi de Maria Joaquina, sua esposa, depois repassada à sua filha Alcida, hoje parte de nosso acervo, surge uma reprodução de uma foto de Benjamin Constant quando jovem, com 30 anos, registrada no ano de 1866. É uma fotografia feita em Albumina, que também faz parte de nosso acervo fotográfico, completa, sem cortes. Mas aqui ela fez parte deste objeto que era comum, um broche que guarda imagens, que sua viúva devia usar diariamente junto ao seu corpo como um testemunho de sua saudade cotidiana.

O broche comemorativo do centenário de nascimento de Benjamin Constant.


Outra peça de nosso acervo, também um broche, confeccionado em material sintético, impresso em 1936, deve ter sido distribuído a parentes e amigos do antigo professor por ocasião do centenário de seu nascimento. Neste caso a imagem de Benjamin Constant que se desejou divulgar era a de homem adulto e sério, mais velho e mais responsável que a anterior. O que hoje seria chamado de "botton", deve ter sido usado como um broche, lembrando daquele que tantas lições e amizade havia distribuído um dia a seus discípulos e amigos, filhos e genros, parentes e agregados.

É para se refletir o quanto da história de uma pessoa permanece através de suas imagens. Hoje em dia, quando virtualmente qualquer indivíduo produz dezenas (senão centenas) de imagens de si mesmo todos os dias, é fato corriqueiro se descartar fotografias. Mas, no tempo de vida de nosso patrono, ter apenas UM registro de uma pessoa era muito difícil. É bom ter isto em mente.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Que árvore é essa? O Abricó de Macaco


Detalhe do caule com frutas e flores - Foto: Ariana Santos. 


Sempre recebemos muitos visitantes em nosso parque. Nossa área verde recebe até mais visitantes que nossa Casa Histórica, é verdade! E estes visitantes são ávidos por informações de diversos tipos e jeitos, formas e abordagens. Uma das perguntas mais comuns é querer se saber que tipo de árvore é uma das que habitam nosso parque - "que árvore é essa"? Muitas vezes escutamos. O mais das vezes nossos funcionários e terceirizados as conhecem, mas existem muitas delas que não são tão comuns assim. Existem até aquelas que nos confundem, pois não somos especialistas e, realmente, segundo a sabedoria popular, podem ter um nome no norte (ou no nordeste) e outro no sul ou sudeste de nosso país... enfim, algumas delas são difíceis de dizer certinho. Mas, mesmo assim, num esforço de nossa equipe, resolvemos listar aqui em nosso blog as que concordamos serem as mais conhecidas. E começamos com o Abricó de Macaco pois ela é uma das que chama muita atenção por diversos motivos. Quer saber quem é ela? Veja nas imagens:

A árvore apenas com frutos - Foto: Ariana Santos.


Muito comum aqui na cidade, aparecendo em vários parques da cidade, por exemplo, na orla da Urca, na beira da Lagoa, no Jardim Botânico, no Parque Laje e no Parque do Flamengo, o Abricó de Macaco também é conhecida pelos nomes populares de Castanha de Macaco, Cuia de Macaco, Macacarecuia e Amendoeira dos Andes. É originária da Amazônia, tem frutos redondos que pendem em cachos e que parecem um coco grande. São pesados e podem quebrar o vidro de automóveis ou amassá-los, e por isso são bem conhecidas pelos motoristas que tendem a estacionar longe delas! Suas flores são exuberantes e por isso também chamam muito a atenção: muito perfumadas, saem diretamente do tronco. É árvore bastante usada em paisagismo urbano e em fazendas, tem altura entre 8 e 15 metros e seu nome científico é Couroupita guianensis.

Aqui, um registro com o caule cheio de flores agarradas.

Em nosso parque essa árvore aparece em vários lugares: desde a alameda central, na subida, até a periferia do parque, nos platôs inferior e superior, nas trilhas, etc. Às vezes em lugares indevidos, mas não podemos simplesmente derrubá-las, tendo que apenas remover seus frutos para quem não provoquem nenhum acidente - se tivermos acesso a eles, o que às vezes pode ser difícil. Mas, normalmente suas flores e frutos colorem e perfumam seu arrabalde e mais alegram seu contorno que trazem problemas, já que estamos dentro de um parque!

Em nosso parque, um espécime com frutos e uma
trepadeira sobre o caule - Foto: Ariana Santos.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Dia dos Namorados é com cultura!

A suntuosa entrada do "Cafecito" no Laurinda Santos Lobo lembra o 'glamour' de outros tempos.
Muita gente já sabe: o amor à cultura é um dos melhores e é bom misturar as duas coisas - amor e cultura. A gente andou pesquisando e soube que muitos casais de namorados já descobriram que vale a pena curtir cultura e conhecimento a dois, finalizando com um bom lanche ou até com uma boa refeição. Em São Paulo, onde a oferta de cultura com culinária é intensa, isso já é sabido há muito tempo. Mas agora, aqui no Rio também se 'descobriu' a combinação, e aí resolvemos fazer um pequenino roteiro 'gastronômico-romântico-cultural' para aqueles que, no próximo domingo, Dia dos Namorados, 12 de junho, decidirem comemorar com seu par o seu dia, e também adquirirem um tantinho a mais de cultura - acompanhado de um quitute. Vamos lá? 

Simplicidade e um cafezinho da melhor qualidade encantam na nova filial do Cafecito.

Começando aqui por perto de nosso museu casa, ficamos sabendo que o (já famoso) Cafecito - que funciona em endereço próprio na rua Paschoal Carlos Magno, nº 121- agora tem uma filial no Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo: é coisa pequena, com apenas quatro singelas mesinhas, e serve do cafezinho - gostoso como sempre - ao capuccino (original e perfetto!), e está aberto esperando todos de quarta a domingo das 13h às 20h. E no Laurinda, neste fim de semana há três exposições de artes plásticas, duas peças de teatro e ainda um show da "Saideira Musical" - é só chegar e aproveitar!
  
E, já que vocês estarão aqui pertinho, aproveitem e passem aqui pelo museu, que estará aberto no fim de semana das 13h às 17h -o parque fica aberto sempre, das 8h às 17h, vocês já sabem!

Em ambiente muito simples, o "Café das Ruínas" conquista pela vista de cartão postal.

Ainda aqui em Santa, todo mundo já veio no Parque das Ruínas, não é? e no "Café das Ruínas"? O Parque, que tem uma bela e famosíssima vista para o Pão de Açúcar é quase visita obrigatória para os namorados e o café desfruta dessa belíssima vista. É um ambiente muito simples mas dá para saborear alguma coisinha. Mas o passeio fica completíssimo com uma visita ao Museu da Chácara do Céu, que possui uma das mais belas coleções de artes plásticas da cidade. É passeio obrigatório e é até ligado ao Parque por uma passagem na parte alta de ambos - pergunte se não encontrar.

Interligando dois prédios muito especiais, a cobertura do M.A.R.
também abriga um dos restaurantes mais sofisticados da cidade.

Descendo em direção ao Centro da cidade, já na rediviva Praça Mauá, o Museu de Arte do Rio - o famosésimo M.A.R. - oferece exposições ecléticas: no momento há a recém inaugurada "Linguagens do corpo carioca - a vertigem do Rio", que "toma como ponto de partida o corpo de quem vive na cidade para discutir a identidade social como uma espécie de gíria gestual" e também a primeira individual do artista plástico Paulo Lobato, chamada "Da natureza das coisas". E se vocês buscam por gastronomia sofisticada estão no lugar certo: o museu abriga em sua cobertura o Restaurante Mauá com um cardápio pra lá de especial, criado pelo 'restaurateur' Roberto Maciel. O local faz parte do Grupo Pax e o menu da casa traz uma nova versão de pratos nacionais com uso de ingredientes bem curiosos, que fazem parte das iguarias criadas pelo chef, que busca no norte da Bahia - sua origem - inspiração para as receitas, que contam com carne de sol, queijo coalho, tamarindo e batata baroa, entre outros. Funciona das 12h às 18h e é bom reservar! Tem também o Cristóvão Café e Bistrô, que divide com a loja Novo Desenho o espaço "Pracinha Mauá", dedicado a acolher e integrar os visitantes do Museu. O café usa ingredientes de qualidade, tem preparo acurado e apresentação apetitosa! O cardápio valoriza a culinária brasileira e propõe uma releitura refinada de pratos nacionais: um destaque!

Em contraste com o ar futurista de suas instalações, o café do Museu do Amanhã é bastante "caseiro".

O Museu do Amanhã, ali pertinho, impressiona por suas linhas arrojadas na arquitetura e por seus questionamentos sobre a vida na Terra - a que levamos e a que virá. Os eixos temáticos que guiam as exposições instigam qualquer visitante e têm sido motivo de verdadeiras peregrinações de moradores da cidade e turistas até lá. Se você e seu amor curtem este clima, podem aliar a isto uma passada no café "Fazenda Culinária", que funciona das 10h às 18h: o estabelecimento valoriza a produção local, com ingredientes e alimentos totalmente cultivados e distribuídos no estado do Rio de Janeiro e acredita que o simples ato de comer pode transformar toda uma cadeia de produção, dando ênfase a sabores e particularidades de cada cultura agrícola. Aproveite também para checar a exposição sobre Santos Dumont que está linda!

O Átrio central do CCBB no Rio sempre lotado, é de onde se acessa as diversas
atrações do centro cultural e também seu café e restaurante.

Com exposições sempre muito disputadas, no momento o Centro Cultural Banco do Brasil apresenta, com destaque, a intrigante "comCiência" da australiana Patricia Piccinini que esculpe seres imaginários super estranhos trazendo para a arte a questão das mutações genéticas. O universo de criaturas desconhecidas, porém palpáveis e surpreendentemente afetuosas criou o neologismo que faz o título da exposição e que carrega sentido duplo, conectando consciente e ciência, propondo ao público um percurso narrativo entre esculturas, desenhos, fotografias e vídeos - há distribuição de senhas até as 20h, mas o espaço tem vasta programação de vídeo, cinema, exposições permanentes e teatro. E, além da já "famosa" - para o bem e para o mal - Cafeteria Brasserie Brasil, que fica no térreo do prédio, tem também o Restaurante Brasserie Brasil que fica no mezanino e atende das 12h às 20 horas, com um serviço de chá dos melhores a partir das 16 horas.


Sempre muito agradável, o "Bistrô do Paço", no Paço Imperial, "fisga"
os visitantes pelo prédio, pelas exposições e pelas delícias a saborear.
A beleza da visita ao Paço Imperial, além do prédio encantador no Centro do rio é mesmo a de encontrar diversas exposições as mais bem montadas possível - e também de saborear delícias no térreo do antigo palácio. Neste fim de semana vocês encontrarão de Manfredo Souzanetto (com "Paisagem Ainda Que") a Regina de Paula (apresentando "Diante dos Olhos, Os Gestos"), passando por Elisa Bracher (e sua "Anatomia da Flor"), Marco Veloso (com "Jogando com a Armadilha") e Tatiana Grinberg ("Muda"), todas com suportes em duas dimensões: pinturas, gravuras, desenhos e fotografias. Em termos de gastronomia, a oferta é muito boa: apesar do concorrido Restaurante Atrium só abrir durante a semana, vocês podem optar pelo Arlequim, que funciona do lado de fora, na loja de mesmo nome, e que oferece bruschettas, sanduíches e refeições leves, acompanhados por uma boa variedade de bebidas, e que funciona das das 10h às 18h. Já o Bistrô do Paço funciona lá dentro mesmo, entre 12h e 19h, e promete boas surpresas: de bons pratos no almoço a um ótimo chá da tarde (neste friozinho então...). Tem também tábuas de frios e queijos que podem ser acompanhados por uma taça de um bom vinho - ótimo, não? É curtir a arte e o amor, no mesmo espaço: aproveitem!

Nota: clique nos links para checar os endereços.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

A Semana e o Dia Mundial do Meio Ambiente


Na semana passada comemorou-se a Semana Mundial do Meio Ambiente que culminou com o Dia Mundial do Meio Ambiente ontem, dia 5 de junho. Como em todo ano, gostamos de fazer um registro da data já que nosso museu possui uma imensa área verde e está sempre conectado às questões ambientais e ecológicas. Neste ano, o compromisso com o DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL é o tema, ou seja, todos os países, através de seus governantes, assinaram um protocolo junto à ONU, que se iniciou em princípios de 2016 e segue durante 15 anos, até 2030, que tem como base para as ações o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, substituindo o anterior, sobre os "Objetivos do Milênio", encerrado em fins de 2015.

Portanto, segundo estudiosos do assunto, o Brasil precisa atentar para a degradação ambiental em curso em todo o país e para a necessidade da eleboração de planos nacionais, estaduais e municipais de conservação do meio ambiente, o que é um imperativo se desejarmos deixar às gerações futuras um país "socialmente justo, economicamente forte e ambientalmente saudável", como diz o bordão da sustentabilidade.

O crescimento econômico NÃO É inimigo do equilíbrio ecológico,
mas precisamos saber os melhores caminhos para conciliá-los.

Precisamos de Políticas Públicas em todos os níveis - municipais, estaduais e federais - que sejam levadas a sério e a efeito para que nosso meio ambiente seja preservado. Mas ações da sociedade civil também são importantes: o empresariado, as igrejas, as entidades Não Governamentais (ONGs), Clubes de Serviços, movimentos sindicais, comunitários, estudantis, devem definir suas ações para que a SUSTENTABILIDADE seja a base do desenvolvimento nacional, estadual e local. Todos devemos estar engajados na construção de comunidades, municípios, cidades, estados, enfim, um país, e um mundo melhor.

O uso indevido de práticas e produtos sobre nosso meio ambiente pode nos afetar
rapidamente tornando a degradação ambiental um caminho sem volta.


Precisamos ter em mente que o desenvolvimento econômico só tem sentido se seus frutos forem distribuídos para toda a sociedade. A monocultura, a degradação ambiental, o desmatamento, o uso de agrotóxicos, a desertificação, as mudanças climáticas e muitas outras formas indevidas de uso do solo, das florestas, da água e de outros recursos naturais devem ser combatidos para que, no futuro quase imediato, nossos herdeiros possam ter um meio ambiente saudável e não apenas um passivo ambiental irrecuperável. É bom lembrar que, neste ano teremos eleições municipais em nosso país: seria muito bom se todos os candidatos voltassem sua atenção para pensar nos aspectos ambientais de suas regiões.