segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Novidade no acervo: um óleo de Décio Villares

O quadro de Décio Villares obtido em leilão.

Escultor e caricaturista, o pintor Décio Villares, viveu entre 1851 e 1931. Foi contemporâneo de nosso patrono, Benjamin Constant, e por isso também foi seu amigo e retratista, já que também compartilhou a Filosofia Positivista desde que viveu em Paris, na década de 1870. Após a instauração do novo Regime Republicano, coube a ele também executar o desenho da nova bandeira nacional, nela imprimindo o lema de origem positivista "Ordem e Progresso" e a constelação do Cruzeiro do Sul. Só por isso já deveria ser sempre lembrado em nosso país, coisa que de fato, não acontece. Em termos artísticos, apesar de ter sido prolífico em sua época - tendo inclusive executado monumentos públicos para várias cidades brasileiras. Atualmente sua produção artística é rara, causada também, em parte, pelo incêndio em seu ateliê logo após sua morte, atribuído à sua viúva.

Nossa diretora Elaine Carrilho e Luis Antonio Santos, diretor substituto, com a peça
e o número de arremate durante o evento.

Em nosso acervo já existem algumas obras de Villares. Foi então que tomamos conhecimento que um pequeno quadro de sua autoria seria leiloado aqui em nossa cidade. Ainda mais sabendo do tema: um retrato de Benjamin Constant. Segundo nosso historiador, Marcos Lopes, o quadro seria de interesse para compor nosso acervo sim, e explica por que: "o pequeno óleo de Décio Villares complementa uma série de imagens produzidas no âmbito do positivismo republicano do final do século XIX. É um tema que tem ocupado minhas pesquisas atualmente, na linha de história e cultura visual. Fico feliz por ter participado da aquisição desse documento para a coleção museológica do Museu Casa de Benjamin Constant”, completa. Desde então, um esforço entre equipes do museu no Rio e da Presidência do IBRAM, a fim de viabilizar a aquisição do pequeno óleo, consultando procedimentos administrativos internos que deveriam ser cumpridos.

À esquerda, o historiador de nosso museu, Marcos Lopes, para quem o pequeno óleo
documenta o processo de construção da imagem de Benjamin como herói e fundador da República.


Nosso diretor substituto, Luis Antonio Santos, esteve presente no leilão promovido pelo Escritório de Artes Soraia Cals ocorrido em 24 de julho e, não havendo lances para o lote 88, arrematou a peça. Agora já estamos com o quadro em nossa guarda. E como nosso museu está fechado por estar passando por obras de restauração, ele permanecerá guardado e acondicionado junto aos demais itens do acervo até nossa reabertura. Um fato importante que não deve ser esquecido, segundo nossa diretora, Elaine Carrilho, é que um marco foi criado para o museu e para o IBRAM, pois "é a primeira vez que uma obra de arte é arrematada em leilão no exercício do direito previsto no Art. 20 do Decreto 8.124 de 2015 que regulamentou o Estatuto de Museus, e concede o 'Direito de Preferência' às instituições que integram o Sistema Brasileiro de Museus, em caso de venda judicial ou leilão de bens culturais". Em resumo, um momento memorável para os museus do país.

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